Resenha de “Preconceito Linguístico”, de Marcos Bagno

Ainda me falta ler uma obra politizada que não incorresse em um pouco de hipocrisia… mesmo que concorde em geral com suas ideias. A razão é óbvia: partindo de seu próprio viés, o autor escolhe quais críticas cabem a seus oponentes, e quais delas não cabem a si próprio. Tendenciosismo político? Isso é para os outros.

Exemplo? Logo no começo, Bagno alerta que não há como se falar em preconceito linguístico sem incorrer em política. De onde eu vim isso se chama “não quero analisar os dados de forma científica, por isso vou usar o politiquês”. Que irônico que Bagno, em sua defesa de um mundo melhor, incorra à mesma postura argumentativa assumida pelos piores chefes e gerentes que encontrei em minha carreira corporativista, coisa de capitalismo antigo, ruim, bem a la Wall Street de anos 80. Ai, ai, ai.


Este GIF foi inserido de propósito para enojar os esnobes literários que acham que linguagem corporal “é para os fracos”.

E mais longe, ele se ofende por ser “acusado” de “esquerdista de meia-pataca”. Afinal, meu amigo, você é esquerdista ou não? Não foi você que afirmou há 100 páginas atrás que não há como sujar as mãos com política ao falar de preconceito?

Mas demos um desconto ao autor. Seu objetivo foi, nas palavras de Bagno, “simplificar (talvez demais) os conceitos da Lingüística para torná-los acessíveis a um público mais amplo.” E isso é louvável. A verdade é que, toda vez que um intelectual escreve uma dessas obras intragáveis de ler, que só os universitários obrigados a aguentá-los terminam, inadvertidamente aliena-se a camada da população que mais precisa dela. Por um lado isso é necessário (na academia, não dá pra abrir mão de rigor científico, embora eu veja muitos intelectuais que não o observam sendo louvados – e pior – referenciados nas ciências sociais da vida), mas nossos brasileiros “comuns” também precisam de mais conhecimento. E para isso, precisamos de mais intelectuais que abram mão um pouco do prestígio acadêmico, desçam do cavalo e expliquem “a grosso modo” alguns conceitos básicos de sua área. Assumir a postura de “educador das massas”, para mim, é mais útil do que a fábrica de preciosismo intelectual e falácias ad hominem que é o “cenário intelectual” (isso existe?) de agora.

Para educar o leigo sobre linguística, o autor escolhe uma trilha bem interessante. Primeiro, vai perfilando os mitos sobre nossa língua e mata-os na cabeça, um a um. Esta é de longe a parte mais divertida do livro, e também a que contém os argumentos mais fortes…


O que aconteceu, ao longo do tempo, foi uma inversão da realidade histórica. As gramáticas foram escritas precisamente para descrever e fixar como “regras” e “padrões” as manifestações lingüísticas usadas espontaneamente pelos escritores considerados dignos de admiração, modelos a ser imitados. Ou seja, a gramática normativa é decorrência da língua, é subordinada a ela, dependente dela. Como a gramática, porém, passou a ser um instrumento de poder e de controle, surgiu essa concepção de que os falantes e escritores da língua é que precisam da gramática.

Ou seja, o que aconteceu com a gramática foi o mesmo que acontece diariamente com milhares de processos burocráticos em nossas esferas pública e privada: nasceu com boas intenções, mas depois se perdeu. O carimbo, a assinatura, o papel, a gramática, todos eles obedecem a si próprios, e não ao objetivo ao qual foram inicialmente criados.


… se Chico Buarque, Manuel Bandeira e Machado de Assis (que […] escreveu: “Mas aonde te vais agora,! Onde vais, esposo meu?”) não servem como exemplos de usuários da “língua culta”, quem servirá?

Lendo a desmistificação de várias balelas que circulam por aí e que servem como alicerce do preconceito linguístico atualmente, me espantei porque desde sempre li muitos livros, e “falei bem” o português por causa disso, e só agora percebi que não é preciso estudar gramática para falar e escrever bem!… E que erro de português é uma coisa, erro de ortografia é outra, mas que muita gente que ensina português não sabe a diferença!Minha parte favorita diz respeito ao mito de que no Maranhão se fala o melhor português do Brasil (balela).

E o engraçado é que, mesmo bem intencionado, Bagno comete erros:


É sabido que no Maranhão ainda se usa com grande regularidade o pronome tu, seguido das formas verbais clássicas, com a terminação em —s característica da segunda pessoa: tu vais, tu queres, tu dizes, tu comias, tu cantavas etc.

Como maranhense, sei de primeira mão que o autor está desatualizado. Conjugávamos bem o tu nas décadas de 50 ou 60, porém, com a crescente imigração de pessoas do interior, o tu vem “sofrendo”. Mas até hoje ouço ludovicenses batendo no peito e dizendo que “São Luis fala o melhor português do Brasil, porque não temos ‘sutaque’.”


[…] um instrutor de auto-escola quer formar bons motoristas, e não campeões internacionais de Fórmula 1. Um professor de português quer formar bons usuários da língua escrita e falada, e não prováveis candidatos ao Prêmio Nobel de literatura!

Mesmo cientes do quão tendencioso o autor é, às vezes os argumentos são tão bons que a gente liga o foda-se e só quer que ele suba no palco e sambe!


poucas instituições houve no Brasil tão obtusas, nefastas, injustas, antidemocráticas e perniciosas quanto o vestibular. Nunca consegui entender por que uma pessoa que quer estudar Direito precisa fazer prova de física, química, biologia e matemática, se o que ela aprendeu dessas matérias já foi avaliado na conclusão do 2° grau. Com o fim do vestibular, desaparecerá também toda a indústria que se formou em torno dele: os nefandos “cursinhos” onde ninguém aprende nada, onde não há nenhuma produção de conhecimento mas apenas reprodução de informações desconexas, onde centenas de alunos se apinham numa sala, onde tudo o que se faz é entupir a cabeça do aluno com “truques” e “macetes” que em nada contribuem para a sua verdadeira formação intelectual e humanística.

Mas faltam alguns esclarecimentos. Ao defender-se de suas acusações de ser “demagógico” ou “relativista”, Bagno diz que os linguistas na verdade defendem na escola o ensino da norma-padrão. Ué? Mas eu, sou ignorante em termos de linguistas, como vou saber que diabos é essa tal de norma-padrão? É a variação culta de nossa língua portuguesa, como falada pelos membros mais “cultos” de nossa sociedade? É uma versão acessível da gramática atual? O que é isso?

E ás vezes, é difícil levar o autor a sério:

“Ninguém comete erros ao falar sua própria língua materna, assim como ninguém comete erros ao andar ou ao respirar. Só se erra naquilo que é aprendido, naquilo que constitui um saber secundário, obtido por meio de treinamento, prática e memorização…”

Mas fofinho, falar uma língua estruturada não é tão natural ou intuitivo como andar ou respirar. Aliás, até andar como bípede depende de contato com outros humanos, segundo pedagogos. Aprendizado é um processo social, e a língua se situa neles. Então não engulo de todo o argumento de que “não há erro de português porque falar é algo natural”. Emitir grunhidos, talvez. Mas falar uma língua com um mínimo de estruturação? Não creio, e que fique bem claro que essa é somente uma asserção minha e que não tenho conhecimentos científicos para corroborar minha posição.

E é esta a impressão geral que tive ao ler este livro: concordei com a ideia chave de que precisamos utilizar menos a língua como instrumento de exclusão, mas a série de tendenciosismos e pequenas inconsistências que permeiam o texto o torna difícil de ser levado a sério como um todo.

DOWNLOAD: Preconceito linguístico, de Marcos Bagno em PDF

O arquivo está no site Minhateca, que infelizmente, está restringindo downloads de arquivos acima de 5 MB. Mas, por sorte, o livro só tem 1 MB, ou seja, vai dar pra baixar tranquilo.

Marcos Bagno
Preconceito linguístico

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Eu gostei bastante deste livro, embora não tenha concordado com algumas coisas. Para saber o que me incomodou, leia a resenha.Para saber o que me incomodou, leia a resenha.

Resumo de “Morri para Viver”, de Andressa Urach

Não quer gastar $$ com o livro da Andressa Urach? Não tema! Eu dou um resumo contando todos os podres para você poupar o seu dinheiro.

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Eu sei porque você está lendo este resumo.

Você quer saber todas as bagaceiras que a Andressa Urach fez, mas não pode sair por aí com este livro no braço porque isso pode arruinar a sua reputação (já basta o tanto de É o Tchan que você dançou na década de 90). Ou você até pode ser bem resolvido, mas a vida tá difícil, dólar tá quase 4 reais, a Dilma existe e não dá pra gastar 20 e poucos reais em um livro que você quer ler só por curiosidade mórbida.

Então não se aflija, meu caro: poupe seu dinheirinho que eu vou contar tudo. Se tudo é verdade, ou mais um golpe para vender mais livros e sustentar a Andressa agora que ela não é mais garota de programa, é você quem decide.

Andressa teve o primeiro orgasmo com um cachorro. O tal cachorrinho lambia as partes íntimas dela e foi assim que ela gozou pela primeira vez. Na pré-adolescência.

Ela perdeu a virgindade com o irmão. Quando foi morar com o pai, Andressa era sempre acompanhada pelo irmão. Ele era como um “guarda-costas”, que protegia a irmã segundo as ordens do pai. Sob a influência de álcool e drogas, os dois cometeram incesto, e esta foi a primeira vez dela. Engraçado foi vê-la se desculpar, como se a culpa fosse dela e de mais ninguém, como se o irmão nunca tivesse consentido.

Ela foi rejeitada pelo pai quando bebê… porque não era loira de olhos azuis. A família Urach tinha uma linhagem de descendentes de alemães com o típico look ariano e Andressa, morena de olhos castanhos, foi rejeitada pelo pai, que não acreditava ser de verdade o pai da garota.

Ela apanhava da mãe. Em um certo episódio, quando a mãe descobriu que Andressa fumava, bateu tanto nela que uma vizinha interviu, com medo de que a mãe a matasse.

Andressa foi vítima de estupro quando criança. O abusador era um “avô de criação” (o pai de um ex-namorado da mãe dela). Andressa não dá mais detalhes além do “ele brincava/introduzia dedos no meu órgão genital” e “pedia para beijar a cabeça do nenê”(ou seja, o pênis dele). Um dia a esposa dele o flagrou de pênis de fora na sala com a Andressa, e por isso pediu à mãe da menina que a mandasse para outra casa. Outra prima também fora abusada.

Como prova do abuso, o livro mostra duas páginas de um diário dela, escrito quando ainda era pré-adolescente. No começo da narrativa, há muitos erros de português, mas de repente a escrita começa a ficar mais elegante e depois volta de novo a ter erros de português. Além do mais, as duas páginas não batem: a primeira página é de 14 de novembro, e a continuação é do dia 17. Senti cheiro de prova fabricada… o que não quer dizer que duvido da história dela, até porque ela disse o nome do abusador em rede nacional e não creio que chegaria a tanto se a história fosse falsa.

Mas que ficou com cheiro de “vamos fazer um diário para corroborar a história só para mostrar no livro”, isso ficou. Para mim, o abuso ocorreu de fato, mas o diário é falso.

Ela casou aos 17 anos, mas logo foi abandonada pelo marido. Ela teve que criar o filho pequeno sozinha. Bancando a arrependida, ela diz que a culpa foi toda dela.

… E começou a se prostituir para pagar as contas. No começo, ela só queria ter um dinheiro extra, achando que poderia ir para um cabaré de luxo só para dançar. Na época, ela trabalhava com coordenadora de RH e morava em um cubículo, mas o salário era pouco. Então começou a fazer bicos no final de semana como promotora de eventos, ou seja, era aquelas moças bonitas que vão a festas e lançamentos de produtos. Num desses bicos, uma colega lhe falou que ela poderia ganhar dinheiro só para dançar em cabarés de luxo… e ela foi fazer um teste.

Ela se vestiu de forma simples, com jeans e blusa de botão. Todas as outras mulheres do local, cerca de 200, vestiam roupas curtas e decotadas. Quando estava no bar, esperando para falar com o dono da boate, um homem se aproximou dela e começaram a bater papo. Ela disse que estava ali só para dançar, porque tinha uma dívida a pagar… e ele perguntou de quanto era a dívida. Ela disse que era de mil reais. Ele fez uma proposta: ele lhe daria os mil reais se ela topasse fazer programa… E foi assim que ela supostamente entrou para a prostituição. Acredite se quiser.

Ela fez um cirurgia a cada 3 meses e meio por 4 anos. A “obsessão pela beleza”, segundo Andressa, nasceu de uma infância e adolescência em que não se sentia amada.

Todas as papagaiadas que ela armou na mídia foram só golpes de publicidade para valorizar seu passe. Ou seja, o concurso Miss Bumbum, posar nua, aparecer pelada em público, os falsos romances lésbicos, o reality show, TUDO não passou de estratégia para fazer o “cachê” dela mais caro. Em um certo ponto, ela cobrou 30 mil reais por hora de sexo.

Ela se dizia “discreta” em relação aos clientes. E era por isso que os jogadores de futebol gostavam dela. Acredite se puder.

Ela não desmente a história sobre Cristiano Ronaldo. Segundo a história toda, ele pegou o número dela por intermédio de outro jogador de futebol. Cristiano supostamente se interessara nela por meio do concurso Miss Bumbum. Os dois se comunicaram pelo WhatsApp e, desde o começo, Andressa viu uma oportunidade para se promover: ela queria tirar uma foto dos dois juntos no hotel e vazar para a imprensa, por isso tirou prints das conversas do WhastApp e chamou um paparazzo para o hotel. Na recepção, ela avisou da presença do paparazzo para não levantar desconfianças.

Durante o sexo, Cristiano se revelou agressivo. Ele desconfiou da armação. Andressa pediu uma foto com ele, mas ele disse que só tiraria foto com ela no saguão, nunca na suíte. Ela desceu e esperou o Cristiano para tirar a foto, mas ele nunca apareceu. Três brutamontes a escoltaram de volta para a suíte e a mantiveram em cárcere privado até que os paparazzi da frente do hotel saíssem. “Por vingança”, ela vazou a história.

Ela atendeu uns clientes bem esquisitos. Um galã de novela que gostava de morder a cabeça. Um milionário gaúcho que gostava de apanhar. Outro que se automutilava, chegando a sangrar da cintura para baixo. Um místico vidente que mentia sobre estar fazendo banhos espirituais enquanto assistia TV e comia pipoca.

Andressa tinha prazer em ser a mais odiada do cabaré. Um dia até descobriu uma macumba que fizeram em seu armário. Ela pegou a boneca e gritava para as companheiras que nenhuma macumba a atingiria, porque ela tomava banhos espirituais com sua mãe de santo. Ela eventualmente descobriu quem fez a macumba e saiu no tapa com ela.

E ela ainda conserva uma falta básica de simancol. Na introdução, o autor louva a Andressa com orgulho, como se ela fosse uma estrela internacional, exibindo reportagens de jornais e revistas estrangeiros… como se isso fosse mérito da Andressa e não demérito dos jornais em si.

No final, é difícil dizer se isso é só mais um golpe de publicidade ou se a Andressa de fato se arrependeu. Com o livro, é certo que ganhará muito dinheiro. Somos apresentados a fotos de Andressa abraçando um gato, com a legenda afirmando que agora ela sabe “apreciar as pequenas coisas da vida”. Será? Só o tempo vai dizer.

Os livros preferidos do Bill Gates

Os 12 livros favoritos de Bill Gates

  1. Meus anos com a General Motors de Alfred Sloan

“Se tiver que escolher apenas um livro de negócios para ler a vida inteira, escolha este livro.”

Bill Gates

Best-seller dos anos 60, é uma leitura obrigatória para empreendedores. É a autobiografia do Alfred Sloan, CEO que levou a GM a ser a gigante que é hoje.

Este livro é dificílimo de achar, e em português só encontrei um trecho online pessimamente traduzido pela Exame.

Baixe Meus anos com a General Motors de Alfred Sloan  em inglês aqui

2. Os anjos bons da nossa natureza, de Steven Pinker


Durante o seu AMA (Ask me anything, ou “pergunte- me qualquer coisa”) no Reddit, Bill disse que esse é seu “livro favorito da década”. Ele acrescentou que “é olhar longo, mas profundo na redução da violência e de discriminação ao longo do tempo”.

Neste livro, Pinker faz um argumento contra o senso comum: a de que nossa geração tem uma moral menos violenta do que as anteriores.

Baixe “Os anjos bons da nossa natureza”, de Steven PInker em português aqui

3. Business Adventures: Doze contos clássicos do mundo de Wall Street”, de John Brooks

É o segundo melhor livro sobre negócios, de acordo com o Bill Gates. Também é um dos preferidos do seu amigo pessoal Warren Buffett.

Baixe Business Adventures: Doze contos clássicos do mundo de Wall Street em inglês aqui

4.  “O Apanhador no Campo de Centeio”, de JD Salinger


“Eu só li este livro aos 13 anos, e desde então tenho dito que é o meu livro favorito. É muito inteligente. ele reconhece que os jovens são um pouco confusos, mas podem ser espertos e ver coisas que os adultos não veem. Então eu sempre o amei.”

Bill Gates, em entrevista ao site Achievement

Também é o livro preferido de muita gente, como o Murakami e Woody Allen. O publicitário brasileiro Washington Olivetto tem um estoque enorme deste livro em casa e dá uma cópia para toda pessoa que o visita. O babaca que assassinou o John Lennon diz que foi influenciado por ele. (Eu mereço ouvir um negócio desse…)

Baixar “O apanhador no campo de centeio”, de Salinger em PDF

Baixar “O apanhador no campo de centeio”, de Salinger em Epub

Baixar “O apanhador no campo de centeio”, de Salinger em Mobi

5. “Uma ilha de paz” por John Knowles


De acordo com a entrevista ao site Achievement.org, este é o segundo livro favorito de ficção de Bill. Ele adora lê-lo com o filho.
Livro um tanto obscuro para um “clássico americano”. A única edição cadastrado no Skoob é dos anos 70. Encontrei apenas um audiobook em inglês para baixar, por isso não postei nenhum link aqui…

6. “O grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald

O Bill gosta tanto dessa história que já foi vestido de Gatsby (sua mulher foi de Daisy) a uma festa a fantasia. Esse livro é recomendado por muita gente. Se você ainda não o leu, conserte essa falha de caráter agora!

Baixe aqui O grande Gastby, de Fitzgerald em .Epub

7. A vida é o que você faz dela, de Peter Buffett

O autor é filho do Warren Buffett, o melhor amigo de Bill Gates. (Buffett, diga-se de passagem é o mais bem sucedido investidor do mundo.) O livro foi publicado aqui no Brasil pela editora Best Seller. O próprio Peter conta a sua história, refletindo sempre se devemos escolher um caminho de vida mais fácil… ou o mais satisfatório? Para ele, não é a mesma coisa.

Este também é um dos livros favoritos do Bill Clinton.

Baixe aqui o Life’s What you Make It, de Peter Buffett em inglês

8. SuperFreakonomics: O lado oculto do dia a dia, de Steven Levitt


Gates ama Freakonomiks, mas diz que SuperFreakonomiks é melhor ainda. De acordo com seu blog, Gates disse que poderia ser considerado suspeito, porque foi envolvido em três das histórias do livro. (Ele cita os exemplos em sua resenha.) Uma das maiores belezas do livro, segundo Gates, é que ele desbanca antigas teorias econômicas que diziam que as tomadas de decisões das pessoas eram irracionais.

9. That Used to be Us, de Thomas Friedman

Este livro é um tapa na cara dos EUA. Diz porque os EUA se transformou na maior potência do mundo, porque está decaindo e o que ele pode fazer para se recuperar. Bill ainda fez algumas considerações aos autores: se outros países estão crescendo bastante também, isso é necessariamente ruim para os EUA? Como os EUA reagiriam se tivessem que abrir de mão de sua posição de liderança?

Baixe “That used to be us”, de Thomas Friedman em inglês: PDF / Epub

10. “For the Love of Physics”, de Walter Lewin

Segundo a resenha de Gates: “Lewin acredita que toda a ciência, inclusive a física teórica, é experimental, por isso não acredita em teorias como a Teoria das Cordas, que não foram comprovadas por experimentos. Eu queria que mais pessoas tivessem a apreciação que Lewin tem por observação, medidas e dados  especialmente em debates sobre assuntos muito importantes, como finanças públicas, reforma na educação e vacinas.”

11. O instinto da linguagem, de Steven Pinker

Gates recomenda este livro a todos. ele pergunta o que é a linguagem, como se estrutura… Pinker explica tudo isso, com exemplos fáceis de entender.

Baixar o instinto da linguagem, de Steve Pinker em .pdf

12. “Os Dez Mandamentos para fracassar nos negócios”, de Donald R. Keough


Também recomendado por Warren Buffett.

Bill diz que as histórias de fracasso do autor “vão ensinar-lhe mais do que uma estante inteira de livros”.

Baixar Os dez mandamentos para fracassar nos negócios em inglês: Kindle / Epub

O que os gringos pensam de Machado de Assis?

O que os estrangeiros que por acaso leem Machado falam dele na internet.

Lembra que nós todos sentíamos aquele dever moral e patriótico de ler Machado porque ele era o melhor escritor brasileiro de todos os tempos, autor de clássicos obrigatórios enfiados goela abaixo?

Lembra que nem sempre nós nos empolgávamos com essa “tarefa” que era ler Machado de Assis?

Como os gringos veem Machado de Assis?
Sua coragem para ler Machado durante o Ensino Médio

Agora lembra que, embora nós não gostássemos de nossos próprios clássicos, às vezes líamos clássicos estrangeiros sem sentimento de culpa (e até gostávamos)?

Você lendo Jane Austen na adolescência…

Bem, para alguns gringos é o inverso. Eles foram obrigados a ler Jane Austen, Mark Twain e afins… e estão lendo nosso brasileiríssimo Machado por conta própria. Por isso, com uma preguiça editorial capaz de deixar os articulistas do Buzzfeed de cabelo em pé, eu li as resenhas do Machado no Goodreads e com algumas traduções livres mostrar o que alguns gringos falando dele…

Pois é. Machado é um mestre.

A gente lê um autor e pensa: como é possível que esse gênio seja desconhecido? Sim, só uma espécie tão cretina como a nossa ignoraria o Machado.

Brian, de Los Angeles, sobre Brás Cubas

Eu não sei como resenhar este romance. Lê-lo foi como assistir uma jogada de mestre no xadrez. Jogada por jogada, você assiste, impressionado. Estou convencido de que Dom Casmurro é a melhor dramatização sobre o primeiro amor de toda a literatura. Mas essa não é uma história de amor como as outras.

Meu amigo Joselito, das Filipinas, sobre Dom Casmurro

Meus braços e mãos praticamente tremiam enquanto eu terminava este livro. Especialmente nas últimas 50 páginas.

K.D., de país desconhecido, sobre Dom Casmurro

Eu não queria gostar de Machado, porque um amigo meu gostou dele e deu apenas 1 estrela para 2666 do Bolaño, um dos meus livros favoritos. Eu queria odiar o livro de Machado e achar defeitos nele. Mas eu simplesmente NÃO CONSEGUI.

K.D., de país desconhecido, sobre Dom Casmurro

Ah, Machado. Ele simplesmente nunca falha.

Karen, de Nova York, sobre O Alienista

Nenhum livro me fez senti tanto como se eu fosse um dos personagens. No começo, foi como se eu estivesse sentada com o meu tio, comendo chá com bolinhos e ele estivesse me contando a história, com todo o seu charme.

Sherry, dos Estados Unidos

É um Tristam Shandy curto, rápido e brasileiro, cheio de metáforas incríveis…

Ben Loory, dos EUA, sobre Brás Cubas

Machado de Assis é velho, mas a escrita é moderna…

 

Ninguém escrevia tão bem ou de forma tão vanguardista como o Machado. […] Machado de Assis só não é considerado o primeiro modernista da literatura porque ninguém quer aceitar que um movimento tão importante como o Modernismo nasceu de um mulato no Rio de Janeiro, e não de um branco em uma capital europeia.

Greg, Estados Unidos, sobre Dom Casmurro

O louco do Machado escreveu uma obra de arte modernista lá no seu tempo. James Joyce e Virginia Woolf? Eles não são nada em comparação a Machado… Por que todo o besteirol modernista não está aqui por si próprio, mas sim a serviço de um livro selvagemente original e incrível.

Brian, de Los Angeles, sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas

Como pode um livro escrito em 1899, parecer tão contemporâneo em estilo e conteúdo?

Steve, do México, sobre Dom Casmurro

Mas nem todo mundo gostou…

O cara é bem fluido, inteligente e divertido para um escritor do século XIX, e eu me senti mal de dar 2 estrelas para este livro depois de amar Brás Cubas, mas numa boa… eu não estava nem aí para a história. […] A comédia metafísica e a abordagem pré-modernista de Brás Cubas sumiu e tudo o que sobrou foi […] um romance básico que, escrito por qualquer outra pessoa seria bom, mas vindo do autor de Brás Cubas foi uma decepção…

Ben Loory, dos Estados Unidos, sobre Dom Casmurro

O resultado:

  • Tem um monte de coisas que o teu professor de literatura nunca te falou;
  • Sim, dá um orgulho patriótico, por que o cara é MUITO bem resenhado.

E aí, vamos ler mais Machado?

Minha decepção com “Zorba, o grego”

Quem lê o blog, sabe que eu tenho cara-de-pau para criticar autores respeitados. Há pouco publiquei uma resenha nojentinha sobre Graham Greene, um dos autores mais respeitados do século XX (e ao meu ver, muito superestimado). Só que eu nunca achei que iria meter o pau em um cara que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura.

Colhões à vista, vamos lá:

Título: Zorba, o grego Autor: Nikos Kazantzakis
Título: Zorba, o grego
Autor: Nikos Kazantzakis

O protagonista é um homem do mar, um budista zen e sábio que vive enterrado em livros, até foi chamado de “camundongo comer de papiros”, aparentemente a versão meados do século XX da palavra “nerd”. O protagonista não gostou de ser chamado de nerd e resolve empirocar pelo mundo com Zorba, um homem sensual, vívido e ignorante:

“Como a criança, vê todas as coisas pela primeira vez. Espanta-se e interroga sem cessar. Tudo lhe parece milagroso…”

Todos nós já vimos algum filme/novela/série em que um certinho de mal com o mundo aprende lições de vida com um porralouquete qualquer. Mas o livro foi escrito em 1946, então vamos desculpá-lo de qualquer clichê. O meu problema com o livro não é este.

Digamos que um leitor negro vá ler um livro com um personagem que diz coisas racistas o tempo todo. E mais: o tal personagem racista é o portador principal de “lições de vida” da história, uma espécie de mentor indireto pelo qual o protagonista vai refletindo e chegando a conclusões diversas. Ao terminar o livro, se o negro dissesse a outra pessoa que não gostou da leitura porque “o livro é muito racista”, qualquer pessoa entenderia.

Pois bem, o mentor “indireto” de Zorba, o grego é próprio Zorba, que pode não ser racista, mas é um estuprador confesso e, toda vez que pode, faz um comentário que ofende as mulheres.

E acontece que esta criatura que lhes escreve neste blog é uma mulher.

“… que criatura cheia de artimanhas é a mulher! Conseguiu enrolar até o bom Deus!”

“Meu avô” [o tarado do poço, cuja história contarei a seguir] “conhecia bem as mulheres.” [Ele dizia] “desconfia das mulheres. Quando o bom Deus quis criar as mulheres com uma costela de Adão, o diabo se transformou em uma serpente e no momento preciso pulou em cima e surrupiou a costela. O bom Deus se precipita, mas o diabo escorregou, deixando apenas os chifres. […] Quando nos encostamos na mulher, estamos afagando os chifres do demônio! [Misoginia + blasfêmia, tudo ao mesmo tempo. Esse cara é bom.]

“… só aquele que quer ser livre é um ser humano. A mulher não quer ser livre. Então, será que a mulher é um ser humano?”

“Ah, mas isso é porque o livro foi escrito no meio do século XX! O autor só quer mostrar a misoginia que existe no mundo, não quer dizer que ele próprio seja machista!”

Será? Continuemos lendo.

Quando falava de sua experiência de guerra, Zorba contava de como ele e seus colegas russos estupravam mulheres das aldeias que invadiam.

“No começo elas choravam, as malvadas, elas unhavam e unhavam…”

Claro, porque toda mulher que resiste ao estupro é uma malvada.

“…mas, lentamente, iam se deixando tomar, fechavam os olhos, gemiam de satisfação. Mulheres, ora…”

Então, as mulheres que estavam sendo estupradas iam pouco a pouco diminuindo a resistência, e o babaca do Zorba interpretou isso como elas gostando de serem violadas. E pelo “Mulheres, ora…” ele provavelmente concluiu que toda mulher é assim, ou seja, que toda mulher gosta de ser estuprada.

Mas isso ainda não é o suficiente para derrubar nossa teoria de que o livro só mostra misoginia, mas não é misógino em si, certo? Continuemos lendo.

O CASO DO VELHO TARADO

Em um momento da história, Zorba conta a história de seu avô. Essa é uma passagem caracteriza bem o livro como divisor entre “pessoas normais” e “pessoas que são tão sofisticadas a ponto de achar o fodido não-fodido”.

Vou transformar essa passagem em um quiz interativo para você compreender a extrema complexidade psicológica da criatura.

Você é uma moça bonita e está passando por uma rua, quando vê um velho que gosta de se sentar à porta de casa com o único objetivo de secar moçoilas como você. O que você pensa de tal velho?

( ) Tarado

( ) Pervertido

( ) Um tarado que não tem o que fazer da vida

(X) Uma alma linda e complexa que quer absorver para si toda a beleza da vida

Em outro dia, você vai pegar água no poço, e vê o mesmo velho tarado e desocupado, já com defeitos de visão, pedindo para que você se aproxime dele. Contrariando todos os instintos do bom senso, você se aproxima do velho, que do nada acaricia o seu rosto. O que você faz?

( ) Chama-o de velho tarado e manda-o para aquele lugar

( ) Você é uma dama, logo pede licença e sai discretamente do local, mas mentalmente o chama de velho tarado e manda-o para aquele lugar

(X) Pergunta o que está acontecendo, porque se ele está acariciando o seu rosto do nada é porque obviamente ele passa por algum conflito existencial

Respondendo à sua pergunta, você constata que o conflito existencial que aflige o velho tarado é o fato dele estar morrendo e deixando todas as mulheres bonitas para trás, e essas mulheres bonitas vão beijar e transar com outros homens além dele!

Em suma, ele não vai poder traçar todas as mulheres bonitas do mundo. Essa é a grande dor existencial dele.

O que você pensa de tal criatura?

( ) Ele é um tarado

( ) Ele é um tarado egomaníaco

( ) Ele é um tarado egomaníaco que não tem o que fazer

(X) Ele é uma alma linda e complexa que só quer absorver para si toda a beleza que existe no mundo.

Se você não marcou as últimas alternativas, sinto muito lhe dizer: você, assim como eu, é uma pessoa normal com um cérebro indigno de entender obras ultrassofisticadas. Sei que o tema desta passagem é a dor de ser mortal, mas o modo como o escritor escolheu passar isso é demais para o meu pobre coraçãozinho sensível.

Tal misoginia até contamina o protagonista, o nerd budista sábio e muito zen. Eis como ele reage quando nota que, no que tange às mulheres, tem um estilo um pouco mais lento e respeitoso do que seu colega machista-estuprador:

“… [arrombar a casa dela], correr atrás dela, apanhá-la pela cintura e, sem uma palavra, leva-la para o seu leito, eis o que se chama agir como homem!”

Repetindo: Ser homem = Entrar na casa da mulher que gosta e transar com ela sem ligar para o fato de ela estar a fim ou não

E aí, pessoa normal com cérebro deficiente como o meu, será que concordamos?

E a tradução do livro? Tudo ia bem até que, antiga edição do Círculo do Livro, encontrei com um absurdo: Sabe como nos anos 70/80 todos diziam “morou?” para perguntar “entendeu?”. Pois o tradutor colocou a expressão “morou”. Na boca de um grego. No meio do século XX.

 Mas o pior de tudo vem agora, e se você não quiser spoiler, aconselho parar de ler por aqui:

O CASO DA VIÚVA GOSTOSA

Na história, o protagonista se interessa por uma viúva tão linda e gostosa que é a musa da ilha de Creta. Esta viúva despertou a paixão de um rapaz que, decepcionado com o amor não correspondido pela viúva, se suicida afogando-se no oceano. E a vila chega à conclusão que a culpa é da viúva.

Algum problema até aqui? Não, a culpa é dos populares que são tão simplórios a ponto de chegar a uma conclusão tão terrível.

Cria-se então, uma situação parecida com a de Monica Bellucci em Malena: a viúva se esconde da fúria popular, até que vai à igreja em um festejo religioso. Os populares a cercam na porta da igreja e a lincham.

E o que acaba acontecendo? Ela é decapitada. Porque botou um fulaninho na friendzone.

Até aqui tudo normal, né? Injustiças acontecem. Aí o protagonista chega à horrível conclusão de que a decapitação da mulher fora “necessária” e “justa”.

Vai pra puta que pariu.

Apesar de tudo, o livro tem pensamentos interessantes… e um estilo de escrita fantástico.

“Então, para que a liberdade chegue são necessárias tantas mortes e patifarias? Se eu lhe contasse os crimes e enormidades que foram cometidos [em nome da liberdade], você ficaria com o cabelo em pé. E, no entanto, qual foi o resultado de tudo isso? A liberdade! Não entendo mais nada!”

“… Mas isso também não é uma forma de escravatura? Sacrificar-se por uma ideia, pela raça, por Deus? Ou será que, quanto mais alto o patrão, mais longa se torna a corda da escravatura? O escravo pode então agitar-se em uma arena mais espaçosa, e morrerá sem nunca ter encontrado a corda. Será isso que então chamamos de liberdade?”

“Não vá dizer [aos homens] que são todos iguais e todos têm os mesmos direitos. Na mesma hora eles pisarão no seu direito, roubarão o seu pão e o deixarão morrer de fome.”

“…é um pecado mortal violar as leis da natureza. Não devemos apressar-nos, nem impacientar-nos, mas seguir com confiança o ritmo certo.”

“… a vida se esbanja em pequenas alegrias, em pequenas tristezas e em fúteis propósitos.”

Enfim, o Kazantizakis mereceu o Nobel. Pesquisando sobre ele, vi que ele sofreu muita opressão política e cresceu em um ambiente terrível, cercado de guerra. Isso se traduz no pessimismo das frases acima.

Mas vai ser machista assim lá na puta que o pariu.