É TENSO: Resenha de Jardim dos Esquecidos ou Flowers in the attic (livro + filme)

Você aceitaria viver trancado em um quarto para ficar rico?

 

ESTE POST É UMA RESENHA. Para baixar os livros/filmes, clique neste post.

 

Quando digo que este livro é um dos mais perturbadores que já li, imagino logo as perguntas: “quem morre?”, “tem fantasma?” ou “é do Stephen King?”. Mas aqui se trata de um perturbador diferente, sem tripas expostas ou espocos de cabeça; nada de medo ou sobrenatural, mas o enredo brinca com algo que todos nós sabemos que existem: a podridão humana.

Acompanhamos a vida de Cathy, uma menina de 12 anos, que tem três irmãos mas é a preferida do pai e tem uma sutil inveja da beleza e feminilidade da mãe (olha o Complexo de Electra aí, minha gente). Ela tem um irmão mais velho, o Chris, que é bonito, superinteligente, aspirante a médico e que coloca a mãe em um pedestal celestial, mesmo com evidências contrárias (hã, Complexo de Édipo?). Sem falar de um casalzinho de gêmeos de 5 anos de idade que são inseparáveis e falam entre si em uma língua só deles (Sim, também achei esquisito).

Então, no começo é tudo lindo: família perfeita, casa enorme, brinquedos de sobra, com pai mãe e filhos perfeitamente loiros de olhos azuis. (Este é um detalhe importante!)

 

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Cenário perfeito pintado, é hora da porra ficar séria

 

Um certo dia o pai morre, e como a mãe não trabalha, acaba levando os quatro filhos de mala e cuia para a casa dos avós maternos, que (surpresa!) são riquíssimos. Mas a vida rica com que sonham não vai vir fácil assim. A mãe fez algo de terrível no passado que fez com que o avô a deserdasse, então ela decide esconder os filhos dele até babá-lo tanto que a inclua de novo no testamento. (É sério, não tou de sacangem). Logo, as quatro crianças ficariam em cárcere privado em um quarto e, quando o plano desse certo elas estariam livres para aproveitar a vida de bilionários.

Quem cuida das crianças é a avó, que odeia e maltrata as crianças, pela pecado que a mãe cometeu no passado e também talvez por ciúmes, já que a filha dela era “amada demais” pelo seu marido, o que poderia implicar que a ma das crianças foi estuprada pelo avô quando jovem. (Outra passagem que reforça esta minha tese é que o avô havia prometido uma grande quantia de dinheiro para a mãe se ela ficasse sempre ao lado dele, sem se casar com ninguém!)

Durante o cárcere Cathy e Chris, os irmãos mais velhos são obrigados a se comportarem como os pais dos gemeozinhos, e este novo papel faz com que eles tenham que se enxergar como homem e mulher, não mais como simples irmãos. E é aí que você começa a desconfiar se eles vão cometer incesto ou não.

Eles sofrem tantos maus tratos que o livro se tornou uma espécie de clássico nos EUA para crianças que sofreram abuso no passado, apesar de ser tratado ainda como “livro raro” aqui no Brasil. As próprias crianças se deixam submeter a esta situação, por acreditarem na mãe e por ganância à uma futura vida de riquezas.

Além do incesto, temos uma família em que todos tem ciúmes de todos. Para quem é versado nas teorias de Freud, pode ser perturbador ver o quanto de subtexto sexual existe nos laços familiares mais próximos, nas pessoas com quem convivemos com mais proximidade. E ainda há um toque de vampirismo, mas não vou me estender por que aí já é spoiler!

 

INDICAÇÕES: Para quem quer ler uma história que vai te deixar agoniada, enojada, oprimida. Este livro é confundido com chick-lit por ser contado por uma adolescente, mas não é infanto-juvenil, não é YA, tampouco chick-lit. É um livro pesado, que recomendo ler logo depois de um livro leve e, depois de ler, volte a ler outro livro leve. Eu mesma, quando terminei o livro tive que correr para o primeiro filme bobinho de adolescentes que vi!

Aqui no Brasil, pode-se obter o livro no Estante Virtual ou na Amazon, mesmo. Mas já vou avisando: seja como for, sua capa será medonha:

 

ImagemBaixa um PDF piratex como eu

 

CONTRA-INDICAÇÕES: Para quem quer uma leitura divertida, leve, só para se divertir. Quem não gosta de protagonistas um metidas a certinhas pode se irritar também.

 

O FILME

Na década de 80, produziram uma adaptação que eu desconfio ter sido “filme de TV”, de tão ruim (tem 14% no Rotten Tomatoes). Como na época não se poderiam mostrar coisas tão pesadas quanto as que tem no livro (até hoje não se pode mostrar tudo), suavizaram demais da história e ela perdeu muito de seu mérito chocante. Maaas… pelo menos o final é mais gratificante.

Fora as atuações péssimas, as caracterizações terríveis e os diálogos rasgação-de-seda.

Enfim, não recomendo, ou leia o livro ou espere o remake de 2014, que parece ter um elenco decente. Mas se você é masoquista, o filme está completo no Youtube – sem legendas.

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Autor: Amanda Alexandre

Uma eterna amante das paixões humanas. Ser adulto dá medo. E é fantástico também.

27 comentários em “É TENSO: Resenha de Jardim dos Esquecidos ou Flowers in the attic (livro + filme)”

  1. Estou muito ansioso pelo remake do filme, que vai ser lançado no ano que vem (no dia do meu aniversário rs). Pelo mini-trailer que vi, será muito mais fiel ao livro, trazendo inclusive a relação bem freudiana dos irmãos mais velhos acabarem se comportando como pais dos mais novos, com a relação incestuosa e tals. 🙂

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    1. Concordo com vc, o primeiro é clássico não me canso de assistir
      se falar que tem mais drama no que torna o filme bem original, sem dúvidas o original é o melhor.

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    1. Oi Amanda, por enquanto não tem sequência do filme (nem do antigo, nem do remake deste ano.)

      Mas você pode ler a saga Dollanganger (a série que originou os livros) pela Amazon, ou se tiver dinheiro e paciência, comprar os livros em português. Mas vou avisando: em português, os livros são raros e caros. Se tiver como, pede os livros em inglês.

      Eu não crei oque haverá continuação para os filmes. 😦

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  2. Assisti o remake do inicio ao fim e… Foi sofrido, terrível, apavorante… DE PÉSSIMO… Canastríssimo nas atuações, edicao ri-di-cu-la… É revoltante porque tinha enredo pra ser um ótimo filme mas teve a chance perdida pra sempre. Comecei a assistir o filme original e já percebi que dá de 10 a zero (façam as contas)… E por fim, a mãe e o filho deveriam chamar-se Barbie & Ken

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  3. Oi! Vi o primeiro filme há muuuito tempo e depois consegui ler todos os livros na emprestados na Biblioteca da minha cidade. A história é angustiante mesmo, pois a situação em que os irmãos são colocados, o que eles vivem e depois como seguir a vida com o que “fizeram” é bem difícil. Vi os filmes neste fds pela HBO – Jardim dos esquecidos e Pétalas ao vento – e apesar de colocarem mais “tempero” as atuações deixam a desejar e a segunda história tende mais para o lado sensual da coisa do que para o dilema dos irmãos.
    Quanto aos livros, a qualidade cai a medida que os volumes vão passando mas é incrível como a podridão é escondida debaixo do tapete. É uma família problemática e ambiciosa há gerações e as crianças mudam este quadro. Na minha avaliação o primeiro e o último – que conta a história sob o ponto de vista da avó são os melhores. Os outros foram encheção de linguiça.

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    1. Vc é sortuda! Os livros são meio raros por aqui em português. Eu gostei mais do primeiro filme (o remake) porque ele adiciona todo o subtexto sexual/freudiano que não existia no filme original. Mas foi um filme feito para a TV, então a qualidade de tudo é mais baixa do que se espera de um filme comum.

      Quanto ao segundo filme, nem terminei de ver…

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  4. assisti o remake e na minha humilde opinião achei a história um pouco pesado a mãe “abandonando” os filhos e os irmãos se vendo como homem e mulher e tendo relações sexuais!
    pra mim foi um pouco pesado bjs

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  5. No filme “O Jardim dos Esquecidos” (Flowers in the Attic) e sua continuação “Pétalas ao vento“ (Petals in the wind), filmados em 2014 e baseados em romances de Virginia C. Andrews, de 1980, os “furos”, as incongruências e os hiatos são tantos e tão evidentes que o espectador é levado simplesmente a naturalizá-los, ou seja, não mais percebê-los, não pensar neles!
    Querem alguns exemplos? Filme 1 – “O Jardim dos Esquecidos”:
    O sobrenome da família é Gallagher ou Foxworth?
    Se Corine e Christopher são na realidade sobrinha e tio e se Christopher é irmão de seu pai, o sobrenome seria Foxworth.
    Parece besteira, mas não é tão simples assim criar um novo sobrenome e utilizá-lo em todos os atos da vida civil, inclusive documentos dos filhos…
    A avó, que se encarrega de diariamente alimentar os 4 netos que até então eram completos estranhos para ela, é uma bruxa… A mãe, que os abandona à própria sorte enquanto organiza festas, namora e viaja, além de tentar envenená-los, resultando na morte de um deles, é uma “coitada”…
    Convém também notar que a “coitada” (que manteve um relacionamento incestuoso com o próprio pai, antes de fugir com o tio) herda tudo (bens, casa, poder) e a “bruxa” não herda nada!
    O filho morre e não é enterrado. Simplesmente deixou de existir? É fácil assim fazer uma criança desaparecer nos EUA?
    Os três filhos sobreviventes fogem de casa sem documentos e atravessam a fronteira do Estado. Ninguém os abordou?
    Filme 2 – “Pétalas ao vento“:
    Em tendo atravessado a fronteira do Estado sem documentos 3 irmãos, sendo dois adultos jovens e uma criança são adotados por um homem rico…Adotados? Sem documentos? Sem contatos com família ou autoridades do Estado de origem?
    Na “cena da escada”, quando Cathy desmascara a mãe e conta a todos que está grávida do padrasto mais uma vez os papéis de “bruxa” e “coitada” são postos à prova, já que a avó – agora inválida em uma cadeira de rodas e completamente refém da filha Corine, que planeja interná-la em um asilo – confirma toda a história da neta e não ajuda a filha com suas mentiras.
    No final da história, novamente assumindo o nome Gallagher, os irmãos passam por um casal com filhos. É fácil assim nos EUA? Ali não se exigem documentos para registrar crianças ou matriculá-las na escola? Se aqui no Brasil seria impossível, imaginem lá então…

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    1. Olá, Luiz, concordo que os filmes são cheios de furos… Mas como leitora do primeiro livro, creio que posso explicar alguns:

      1-Mudar de nome nos Estados Unidos não era tão complicado assim. Na época, não haviam sistemas únicos de informação (como hoje, em que o número de Seguro Social ou cartão de crédito já puxa um relatório completo sobre a vida da pessoa).;

      2- A mãe está longe de ser a coitada! De onde você tirou que ela é uma coitada? Pelo contrário, ela é a maior vilã da história! Ao contrário da avó, que tem o seu momento de humanização, quando a neta a vê sem a peruca/maquiagem na cama, com o rosto triste e depois percebemos que ela sente remorso pelo que fez, ao contrário da mãe.

      O incesto faz parte do “mistério” da obra… E é justamente por causa do incesto que ela herda tudo e a “bruxa” não fica com nada… Esse é um dos pontos que deixa a história mais interessante, na minha opinião!

      3- O filho poderia ter sido enterrado em qualquer parte da propriedade, durante a noite. Como a história é contada do ponto de vista das crianças, não podemos saber como o corpo foi enterrado porque enquanto isto era feito, as crianças estavam presas no porão…

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  6. Oi Amanda,achei seu blog por acaso quando assisti o filme “Espinhos do mal” no HBO. E estou percebendo que é uma saga. Você pode me falar por gentileza,qual a sequência?
    Grata.

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  7. Ola, eu acabei de ver Espinhos Do Mal na HBO E boiei…

    Não entendi nada, agora percebi que é uma saga, nesse filme Espinhos Do Mal me lembrou aquele filme A Profecia, o garotinho Bart é tão enigmatico quanto Damien!!!

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