Lavoura Arcaica e o meu problema com poesia

A partir de agora vou deixar os posts mais sucintos possíveis, porque tempo é dinheiro e convenhamos, se você mal lê o que sua mãe publica no Facebook, o que dirá do meu post?

 

Vamos lá.

 

Imagino que existam duas formas de entender poesia:

1) Para aqueles com hipersensibilidade artística: esses entendem poesia naturalmente. Para elas, poesia é como caminhar na praia e sentir o vento nos cabelos. Elas fazem em menos de um milissegundo associações semânticas que os matemáticos nunca vão entender;

 

2) Para aqueles com mente objetiva: pensar, pensar, pensar. Cada metáfora é um parto. Será que ele quis dizer isso? Ou aquilo? E a pior parte é, que sem a ajuda do Google, nunca vamos saber se entendemos mesmo.

 

Eu me encaixo no segundo grupo, o que torna ler poesia uma experiência bela, porém tortuosa. Como Lavoura Arcaica é narrativa poética, sua leitura foi difícil para mim. É muita tentativa e erro. Mas a história é relevante, e vale a pena, e vou tentar falar dela sem spoilers:

 

Acompanhamos a trajetória de um cara que, era uma vez, vivia em uma casa cheia de irmãos e com um pai supermoralista e uma mãe muito carinhosa. Um dia, ele sai de casa por causa de um certo probleminha (que eu não vou revelar o que é), o que deixa a família de coração partido, até que um dia seu irmão mais velho vai buscá-lo para tentar convencê-lo a voltar para a família.

 

A cena em que o tal probleminha é confesso é simplesmente uma das coisas mais fortes que já li na minha vida. (Sim, até para eu, que sou tapada para essas coisas poéticas!) O final é fantástico e recomendo fortemente a leitura para os que tem colhões.

E falando em nós tapados para poesia, a nossa vantagem de ler um livro assim é que você pode parar quando quiser, e retomar quando já estiver com a mente “descansada”.

Não dá para dizer o mesmo de um filme.

 

O filme foi a coisa mais fielmente adaptada para o cinema que já vi. Mostra o livro NOS MÍNIMOS DETALHES. Sem exagero. Até a garrafa de vinho que fulano e sicrano tomam. Tudo foi traduzido para o cinema, sem tirar nem por.

E uma adaptação tão fiel produz duas conclusões diferentes:

a)   O filme tem quase três horas de duração. Em um ritmo leeento, porque haja tempo para fazer tanta metáfora! ;

b)   O resultado é uma lindeza para os ultrasensíveis e uma tortura (ainda que bela) para os objetivos.

 

No livro, eu não conseguia ler uma página sem a sensação de que tomei uma porrada “literária”. No filme, eu queria gritar socorro nos primeiros 15 minutos, e imagine como fiquei quando vi que tinha mais 2h35min de filme pela frente.

 

No final, tive o filme como um exemplo de que nem sempre é uma boa ideia fazer um ipsis litteris cinematográfico, por melhor que seja o livro. E você aí brigando porque mudaram uma fala do Game of Thrones.

 

P.S.: O filme tem o nome em inglês de “To the left of the father”, ou “à esquerda do pai”, que insinua de um jeito fantástico como o moralismo do pai influenciou os personagens da trama.

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Autor: Amanda Alexandre

Uma eterna amante das paixões humanas. Ser adulto dá medo. E é fantástico também.

Um comentário em “Lavoura Arcaica e o meu problema com poesia”

  1. Poesia é justamente isso, mexer com a gente, deixar dúvidas. Considero que todo mundo tem a capacidade de hipersensibilidade para a poesia (experiência própria rs). Em relação à obra, o filme realmente se tornou cansativo, mesmo que muito bem feito e construído. O livro é um dos mais marcantes que já li. Uma ótima escolha! 🙂

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