Cidades de Papel e o dia em que me divorciei de John Green

Deixa-me dizer o que tem de bom neste livro:

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Publicado no Brasil pela Intrínseca.

1-Tem um mistério, que é interessante nas primeiras 100 páginas;

2-10% das piadas são decentes (E por decente, eu não quero dizer “oh my god, que engraçado”, mas sim: “hum, a piada não é horrível”);

3-Uma ou duas citações legais;

4-O narrador lê um poema de Whitman com a gente. O que é legal, porque eu nunca experimentei isto num livro.

Mas isso passa longe de salvar a história.

 

O resto é composto de uma investigação com um ritmo horrível, com um desenvolvimento de personagens bem óbvio, diálogos que deixam bem claro que o autor está se masturbando com o próprio cérebro (o que não é de todo ruim, eu assumo) e personagens com a habilidade de fazer piadas que são, ao mesmo tempo, espirituosas e ruins.

Que eu deixe bem claro, eu não tenho nenhum problema com a falta de realismo dos personagens de John Green, porque eu acho que realismo não muda o mérito de uma obra de ficção. Gogol fez carreira com chamado realismo mágico e ninguém dizia que ele era porcaria porque falava de um nariz que andava e falava.
O meu problema com Cidades de Papel MESMO é que é cheio de blábláblá filosófico. Aquele dilema que todo idealista de 16 anos enfrenta de escolher uma vida normal X vida aventurosa é tratado, só que do jeito mais óbvio possível.

E só pra esclarecer mais uma coisa, eu não sou aquele tipo de esnobe chata que só lê clássicos. Gosto muito de literatura comercial e no momento estou em busca de um “YA pra chamar de meu”. O que me irrita é um livro comercial querer posar de caviar literário, e é exatamente isso o que Cidades de Papel é: um pretensiosismo sem tirar nem por.

O que me fez refletir sobre os meus pensamentos sobre A culpa é das estrelas. Será que ele é tão pretensioso quanto Cidades de Papel? Será que gostamos de tramas repetitivas e clichês só porque representam uma tímida evolução desde os tempos de Crepúsculo? Será que Cidades de Papel é tão ruim a ponto de me fazer mudar meus sentimentos sobre A culpa é das estrelas? (No mínimo, já me fez desistir de Looking for Alaska, que olhe só, tem quase a MESMA coisa!)

E finalmente, quando vamos nos cansar desse clichê premissa do garoto-nerd-apaixonado-pela-gostosa-maluquinha-interessante? Em ingles, existe até uma expressão para esse tipo de clichê: Manic Pixie Dream Girl.

John Green, nós tivemos um relacionamento bacana juntos no passado, mas você estragou tudo. É. É isso. Continue mantendo seus livros citáveis e GIF-áveis e você estará bem.

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Autor: Amanda Alexandre

Uma eterna amante das paixões humanas. Ser adulto dá medo. E é fantástico também.

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