Porque Tripas, do Chuck Palahniuk não é contra a masturbação

Alguns atos são baixos demais para receberem um nome. Baixos demais para serem discutidos.

Tripas, Chuck Palahniuk

 

Baixe aqui o conto traduzido e ilustrado.
Baixe aqui o conto traduzido e ilustrado.

 

Algumas pessoas leem o conto Tripas (ou Guts, seu título original) do Chuck Palahniuk, onde um garoto de 13 anos sofre algo horrível ao se masturbar na piscina e pensam:

Ah, essa é um conto contra a masturbação, não é? Se ele não fosse inventar de se masturbar daquela forma, ele não teria passado por nada daquilo!

Essas pessoas deixam de perceber certas sutilezas do conto (o que é atípico, porque acho o Palahniuk não costuma ser sutil na obra dele). A mensagem não é condenar a masturbação, mas sim falar de tabus. Coisas dos quais temos vergonhas, mesmo que sejam relativamente naturais, como a masturbação. (Em alguns casos, bota relativamente nisso.)

 

Eis alguns trechos do conto que evidenciam isso:

Ele sai para comprar uma cenoura e lubrificante. Para conduzir uma pesquisa particular. Ele então imagina como seria a cena no caixa do supermercado, a solitária cenoura e o lubrificante percorrendo pela esteira o caminho até o atendente no caixa. Todos os clientes esperando na fila, observando. Todos vendo a grande noite que ele preparou.

 

Mesmo agora que ele cresceu, aquela cenoura invisível aparece em toda ceia de Natal, em toda festa de aniversário. Em toda caça de ovos de páscoa com seus filhos, os netos de seus pais, aquela cenoura fantasma paira por sobre todos eles. Isso é algo vergonhoso demais para dar um nome.

 

[…] dizem que a maioria dos casos de suicídio adolescente eram de garotos se estrangulando enquanto se masturbavam. Seus pais o encontravam, uma toalha enrolada em volta do pescoço, a toalha amarrada no suporte de cabides do armário, o garoto morto. Esperma por toda a parte. É claro que os pais limpavam tudo. Colocavam calças no garoto. Faziam parecer… melhor. Ao menos, intencional. Um caso comum de triste suicídio adolescente.

 

Agora eu pergunto. Se tivéssemos uma postura mais natural acerca de masturbação, será que o menino do conto passaria por tudo aquilo? Será que ele não disporia, então, de um jeito mais automatizado e seguro de se masturbar daquela forma sem ter que recorrer ao ralo da piscina?

Aliás, as mulheres já dispõem de vibradores porque muita gente esperta já decidiu ganhar dinheiro permitindo que as mulheres se masturbassem sem se arriscar enfiando legumes nas suas vaginas. Todo mundo ganha. Com o mesmo raciocínio, será que a “sucção de ânus” é um nicho do mercado erótico ainda não explorado?

Será que acabei de ter uma ideia que vale milhões de dólares? J

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Autor: Amanda Alexandre

Uma eterna amante das paixões humanas. Ser adulto dá medo. E é fantástico também.

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