Big Little Lies: porque você deve assistir

Big Little Lies entende a alma feminina como ninguém – e cada atriz dá um show.

No começo do quinto episódio da primeira temporada de Big Little Lies, vemos Shailene Woodley (a protagonista de Divergente e A Culpa é das Estrelas), aguardando ser interrogada por um policial dentro de seu carro, em uma batida policial. Enquanto vemos o rosto dela, aparentemente serena esperando o policial abordá-la, ouvimos uma trilha disco, com flashbacks que duram apenas milésimos de segundos. A música é upbeat, mas o momento é tenso, e tamanha originalidade (ou será inadequação?) na hora de usar a trilha sonora pode gerar estranhamento.

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E é isso que quem assiste Big Little Lies tem que entender: o diretor Marc Vallé é do tipo que dirige filmes quietos e esquisitos para o Oscar, logo a série vai ter gosto de filme quieto e esquisito para o Oscar. A diferença aqui é que: na série, a edição é tão diferente que parece um personagem à parte; e o texto de Liane Moriarty (uma das minhas autoras preferidas) entende muito bem a mulher (e insere de vez em quando uma piada hilária que consegue ser natural e surpreendente ao mesmo tempo).

Big Little Lies conta a história de três mães do jardim de infância de Monterrey, na Califórnia, uma comunidade que mistura gente pobre com rica no mesmo distrito, todos os filhinhos, ricos ou pobres, estudando na mesma escola.

Das três mães, uma é Reese Whiterspoon, que trabalhou com o diretor anteriormente em Livre. Reese faz Madeleine, a mãe encrenqueira da escola. Apesar da Madeleine da série ser diferente (ela não faz aquela coisa com seu marido no livro), a voz de Reese consegue incorporar bem o humor orgânico, surpreendente e absurdo de Moriarty. As outras duas mães (Shailene Woodley e Nicole Kidman) não fazem o mesmo. Reese também tornou a personagem mais carismática. Ela não só atua muito bem como me fez GOSTAR da Madeleine, com uma profundidade maior do eu a personagem do livro. E mesmo que a personagem tenha um drama a mais que não existia no livro, a essência da personagem ainda está intacta… provavelmente porque Moriarty, a autora do livro, é uma das produtoras.

Shailene Woodley faz o primeiro trabalho de que realmente gosto. Ela tem o difícil trabalho de contracenar com duas gigantes que são Nicole Kidman e Reese Whiterspoon, e não é horrível. Quem sabe no futuro posso até gostar dela. A sua personagem Jane é a mais misteriosa das três, mesmo em comparação com Celeste, a personagem de Nicole Kidman. Enquanto sabemos o que acontece na vida privada de Celeste, a verdade sobre o passado de Jane ainda é oculta para nós, e me pergunto se a série vai manter a mesma trama do livro.

Por último, a maravilhosa Nicole Kidman. Não vou dizer muito além do básico:

  • Ela interpreta uma história não-clichê de abuso doméstico.
  • Ela tá foda, foda, muito foda no papel.
  • Taca logo um Emmy nessa mulher, pelámordeDeus.

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Na cena acima, vemos Celeste relutante em contar para sua terapeuta que apanha do marido. É impressionante o quão sutil a atuação da Nicole é. Cada piscadela, cada virada de cabeça revela e esconde muita coisa. Uma expressão facial de Kidman já é um texto de diálogo. E olha que o personagem dele é extremamente difícil. Por fora, Celeste tem que parecer perfeita, mas por dentro é vítima de abuso. À primeira vista ela não mostra muita emoção, e de propósito. Ela tem que parecer falsa, opaca e distante, e mesmo assim Kidman consegue transparecer o quão calculada sua “perfeição” é.

Sério. Não perca Big Little Lies. Só a interpretação de Kidman já é um dos acontecimentos das séries de 2017.

O meu único senão é que, às vezes, o diálogo fica muito literário. Parece mais que os personagens estão recitando uma redação do que interagindo com conhecidos. Mas estes momentos geralmente dão um insight muito interessante sobre a natureza humana e os conflitos internos das personagens. E estes momentos duram pouco. Logo depois, retornam ao diálogo natural e orgânico típicos de Liane Moriarty.

Ah, e lembra da cena do começo da resenha? Aquela em que Jane (Shailene Woodley) está em uma batida policial ao som de disco. No final do episódio, ouvimos o resto da letra, e ao contrário do que pensávamos antes, a música tem tudo, tudo, tudo a ver. Mas aí você vai ter que assistir para entender. 🙂

DOWNLOAD: Big Little Lies, 1ª temporada

Baixe a primeira temporada legendada.

Você precisa baixar a legenda também e colocá-los na mesma pasta. Em breve farei uma resenha desta série.

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1º episódio: Vídeo Legenda

2º episódio: Vídeo Legenda

3º episódio: Vídeo Legenda

4º episódio: Vídeo Legenda

5º episódio: Vídeo Legenda

Dica de série: Trophy Wife

“Trophy wife” é uma expressão que quer dizer esposa troféu (que, apesar do novo acordo ortográfico, não se acentua mais – obrigada à Anna por me avisar!), como aquelas lindonas que os caras ricos tem só para mostrarem que são ricos e poderosos e etc.

Jogando o termo no Google, dá o seguinte:

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ImagemAh, o amor.Imagem

 

Coff, coff, vamos à série.

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Kate é uma mulher que casa com um cara com DUAS ex-mulheres e TRÊS filhos. A primeira ex-mulher é Diane, uma cirurgiã ortopédica, que tem um casal de filhos e os educa do jeito mais aterrorizador e eficiente possível. [Todo mundo deveria assistir o segundo episódio, em que ela faz terrorismo com os filhos para eles assumirem que derramaram salsa no sofá branco dela.] ela também tem métodos bem inteligentes de levantar informações sobre aonde os filhos estão. Ela é muito foda. É um dos meus personagens favoritos.

A outra é uma hippie natureba doida de pedra com que o Pete (marido da Kate) adotou um menino da China. Ela vive se mentedo na vida do casal e o filho dela é o personagem mais engraçado de todos!

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A comédia não é de todo familiar, porque tem uma ou outra piada de segundo sentido que as crianças não vão entender.

Mas a grande vantagem da série mesmo é que ela evita as brigas clichês de ex-mulher e da trama filho-odeia-madastra.

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Ah, e na série, existe amor de verdade entre o Pete a Kate. O título só existe assim porque a personagem é MUITO bonita mesmo.

The Killing e suas técnicas batidas

O mais recente hit da AMC utiliza velhos truques de Hollywood – e o resultado dá certo

Enquanto a HBO escala a montanha do pop com Game of Thrones e True Blood, a sua miniconcorrente AMC explora terras mais maduras com Mad Men e, mais recentemente, The Killing, uma adaptação da dinamarquesa Forbrydelsen, já na minha lista de downloads. O interessante é que, ao contrário de Mad Men, a estrutura The Killing é bem clichê, o que de início pode parecer ruim, mas no final rende bons resultados. É uma série acima da média (tem alguns defeitos, mas nada muito grave), que provam que as velhas malandragens hollywoodianas funcionam e provam aos falidos CSIs que é possível sim, reciclá-los. Eis alguns deles.

1. Construa os personagens mais fodidos possíveisÉ o jeito mais fácil de construir personagens “complexos” e “bem construídos”. Eleja seus personagens principais e concentre o maior número de problemas neles. Veja os exemplos:

Os fodidos de The Killing: um jeito fácil de fazer “personagens complexos”

2. Todos têm alguma razão secreta e embaraçosa para mentir à polícia Essa é clássica. A polícia interroga fulano, acha a história dele meio incabível e investiga a fundo, descobrindo que ele realmente está mentindo (mas ainda não sabe o porquê). Num novo interrogatório, o agora suspeito confessa (com lágrimas nos olhos) que mentiu para a polícia sim, não porque era o assassino, mas porque tinha vergonha de dizer que fazia xixi na cama. A polícia investiga a história do xixi na cama, descobre que é verdade e volta à estaca zero. È nesse ponto que surge outra pista e um outro falso suspeito é interrogado… e assim vai.

3. Crie uma teoria da conspiração – e descarte-a depois Mortes de adolescentes sempre começam a ser investigadas pelas amigas e pelos namorados canalhas. Não esqueça de vestir as boas moças de rosa, e os drogados matadores de aula de preto, e voilá, você tem o início de uma investigação. Com o tempo, descobre-se que a garota morta tinha um desconhecido em sua vida, geralmente um homem mais velho, o que leva a investigação ao círculo dos ricos e poderosos. Daí, pra surgir uma teoria da conspiração, é um pulo. Mas, de novo, a história ficaria previsível, e volta-se ao ponto inicial: ou a morte foi um acidente, ou foi passional (com uma solução um pouco mais complicada do que namorados ciumentos  e amigas invejosas). O final de The Killing deu uma saída habilidosa à fórmula acima.

4. Crie uma uniformidade visual de opressão Aqui está uma das sacadas mais brilhantes de The Killing. Talvez por se basear numa série nórdica, ou simplesmente por vontade dos produtores de dar um ar deprimente à história, ela se ambienta na cidade de Seattle, uma das mais chuvosas dos Estados Unidos e é grande o suficiente para ter um cenário político relevante (o que é importante para a trama) e dar um toque urbano necessário. É o suficiente para dar o tom mórbido e quase enervante à série, afinal esta não se trata apenas de quem-matou-quem: é uma história de tristezas. Bem melhor do que a escuridão gratuita dos laboratórios de CSI.

Mais aspectos relevantes de The Killing Além de reciclar velhos truques narrativos, aqui vão mais aspectos que me encantaram:

  • A protagonista Sarah Linden: Colocar uma loirinha gostosa para sair investigando com os peitões pululando por aí é uma tentação bem grande, mas felizmente este não foi o caso. A Mireille Enos é bonita, mas sua beleza não virou argumento de venda, e até que tentaram enfeiá-la com roupas infelizes e um eterno rabo de cavalo (não adiantou muito: ela é bonita e seu cabelo é óóóótimo). Não deu muito certo, mas o que interessa aqui é como a personagem ficou crível: ela é forte, inteligente, tem síndrome de independência, mas também sabe ser delicada, pirar na batatinha, ter aquela TPM básica e dar um sorriso bonachão. O seu companheiro Stephen Holder que o diga.
  • A direção de arte: Como disse, o clima da cidade, a cenografia bem realística, a ausência de romantismo, a trilha sonora, tudo está muito coeso, muito frio e opressor.
  • O castigo “moral” reservado à Mitch Larson: Se você perde uma filha, isso lhe dá o direito de sofrer? Sim. Mas isso também te dá licença para se comportar como uma criança? Nem sempre.

Por isso gostei da briga que os pais da garota morta tiveram quando a mãe Mitch retorna à sua casa depois de passar um tempo fugida para arejar o sofrimento. Quando ela insinua que sofreu mais do que todos por ser a mãe da defunta, seu marido Stan retruca muito bem: “Mas eu sou o pai.” E foi ele quem ficou em casa, para lidar com os filhos, a casa, a empresa, a polícia difícil, os charlatões aproveitadores e uma imprensa interesseira. Assim, ficou muito claro que os roteiristas tiveram os cojones de dizer que Mitch tinha direito à sua parcela de sofrimento sim, mas se comportou de forma egoísta.

E ele ainda cozinha bem…
  • O detetive Holder e sua relação agridoce com Sarah Linden: Ele é engraçado, bacana, sabe figir que é pedófilo e é meio fodido, mas nada que a gente não perdoe depois dele fazer umas duas piadas sobre a Sarah Linden (logo após aguentar os problemas dela).

E, depois de um banho e um perfume, até que eu o pegava.

  • O enredo “multifocal”: The killing acontece em três esferas: o da polícia que investiga o assassinato de Rosie Larsen, o luto da família que a perdeu e o de um círculo político que parece estar envolvido no caso. Isso enriquece o roteiro, mas há um porém: a persistência em acompanhar Darren Richmond e seus cabos eleitorais com tanta intimidade significa que um deles estão intrinsecamente ligados ao assassinato, o que é um baita dum spoilerzão.
  • O final não é 100% feliz: Como disse, os personagens já tinham muitos problemas antes mesmo do assassinato de Rosie Larsen acontecer, e não é porque o bandido foi descoberto que eles vão milagrosamente se resolver. Alguns chamam isso de “final europeu”. Eu chamo de um final honesto.

Crepusculetes e seus diferentes níveis de sofisticação

Já faz cinco anos desde que a febre dos vampiros purpurinados arrebatou milhões de moçoilas sonhadoras, mas até hoje as fãs de Crepúsculo permanecem como padrão infalível de um fanatismo bobo, comercial e nada argumentativo. Mas creio que esta fama seja um tanto injusta: o fanatismo estúpido existiu antes e sempre existirá, mesmo após o esquecimento da (até agora) famosa saga. Uma prova disso é que podemos ver marmanjos barbados pagarem de Crepusculetes em flor ao apreciarem obras muito diferentes – e superiores – à série adolescente.

No entanto, aqui tomo as conhecidas Crepusculetes como unidade de medida para me fazer entender melhor. Eis a lista dos que considero os 5 fãs mais ridículos da atualidade. As obras são muito diferentes, mas a atitude infantil é a mesma.

Crepusculetes 1.0: Fãs de Crepúsculo 

As Crepusculetes na sua forma mais elementar gostam de uma obra apesar do seu apelo muito óbvio: a presença de uma figura masculina mais velha (porém ainda totosa) com as qualidades certas e os defeitos certos. Elas entendem esse apelo, e sob forte criticismo à sua querida saga, seus únicos argumentos são o escapismo, a inveja ou a conta bancária da autora e atores envolvidos.

A Stephenie Meyer é rica. E você fazendo aí, fazendo merda de graça.

Como forma primitiva de Crepusculetes, seus níveis de arrogância ainda são baixos em relação aos outros da lista.

Também montaram um algoritmo bem simples para desmoralizar que falam mal dos livros: você não tem espaldo para criticar a série a não ser que tenha lido todos os livros. Mas se você de fato ler toda a série, elas vão te dizer: “Você disse que não gostou mas leu todos os quatro livvos, não é? Então na verdade você deve gostar e não diz.”  Engenhoso, não?

Crepusculetes 2.0: Fãs de God of War que acham que o jogo é exatamente fiel à da mitologia grega 

Eu aplaudo e muito a iniciativa de fazer um jogo super violento (que eu adoro) para ensinar mitologia grega a quem é muito ignorante importante pra pegar um livro, mas às vezes fico desapontada com o fato de muitos acreditarem que a história do jogo é EXATAMENTE igual à registrada na mitologia grega. Estes fãs estão muito preocupados em acharem que os jogos são uma forma de contar histórias muito superior ao resto, mal sabendo eles que os produtores, a exemplo dos piores produtores de Hollywood, gostam de dar uma estuprada básica no roteiro em função da diversão, e no caso de God of War, do gameplay. “Licença poética existe, mas não para jogos. Isso é coisa de cinema”. Dá pra levar a sério?

E o pior é que o jogo até tem semelhanças: ele foi um guerreiro de Esparta, que como pupilo de Ares (deus da Guerra) foi obrigado (dentre outras coisas) a matar sua família, que Ares interpretava como uma distração ao projeto-do-guerreiro-perfeito que fazia de Kratos. Na mitologia, a história dele termina com as cinzas de sua família impregnando-se em sua pele, deixando a branca como marca dos crimes que cometeu. Daí surgiu o nome Fantasma de Esparta (ou Ghost of Sparta). Legal, né?

Kratos tem um jeito machão idiota porque a fúria de Ares e a sede de sangue o deixaram assim, meio louco. Mas mesmo muito louco ele nunca iria até o inferno de Hades para resgatar o irmão…

Mas parou por aí, e olhe lá. No God of War 3, colocaram a criatura pra abater todos os deuses possíveis, o que é simplesmente um sacrilégio, uma blasfêmia, um pecado mortal. Gostar todo mundo pode, e não digo que o jogo DEVE SER FIEL à mitologia clássica, mas não saia por aí dizendo que aprendeu mitologia jogando GoW porque é forçar MUITO, entendeu?

Como este tipo costuma abandonar a teimosia após meia dúzia de links na Wikipedia, está ainda numa posição baixa na minha lista.

Crepusculetes 3.0: Fãs de Game of Thrones 

“Os livros de Game of Thrones são perfeitos.”

“Quem não gosta de Game of Thrones é imaturo, idiota e tem mau gosto.”

Como viciada na série Game of Thrones na HBO, fico triste em dizer que agora que a porra fica séria. Apresento-lhes ao bando de marmanjos crescidos mais parecidos com as Crepusculetes que você conheceu na vida. Boa sorte ao dizer ao dizer que a obra querida deles na verdade é bem mais maniqueísta do que os argumentos de venda do George R. R. Martin diz. Boa sorte ao dizer que livros nem sempre são melhores do que suas adaptações. Boa sorte ao dizer que os personagens não são lá muito complexos e que o autor utiliza fómulas clichês para criar a identificação entre leitor e personagem (sim, porque é o tipo de história que ainda precisa dessa coisa totalmente clichê que é deixar os protagonistas bonzinhos pra criar identificação com público – alguém mais bocejou aí?).

Ned, o mocinho de novela das 8 que caiu de pára-quedas na HBO.

Se você criticar a obra, vai topar com o mesmo tipo de argumento que as Crepusculetes 1.0 usam: só se pode emitir uma opinião sobre a série depois de ler 3200 páginas e gastar mais de 100 reais. A não ser que você goste. Aí você já tem moral a partir da primeira página. E lembre-se que tal raciocínio vem de quem costuma descartar Crime e Castigo no máximo, na página 50.

Em vez de se sentirem gratos pela HBO lhes concederem algumas surpresas no decorrer da série, só reclamam, achando que adaptar um  livraço de 800 páginas e decide adaptá-lo numa temporada de 10 episódios com 50 minutos de duração é fácil. Aqui vai uma dica, meus caros, se a HBO com todo o seu know-how não consegue fazer alguma coisa em matéria de TV, é muito difícil que você vá ter competência pra fazer melhor.

Como este tipo costuma ter melhor conhecimento gramatical (e se acha proque consegue, pela primeira vez, terminar um livro grosso na vida), uma coisa eu reconheço: eles realmente elevaram o nível do retardo mental.

Crepusculetes 4.0: Fãs de HQs que reclamam porque os suas adaptações para o cinema são diferentes

Todo mundo sabe que Hollywood só adapta filmes de Marvel e concorrentes ou porque tem muita preguiça pra pensar em algo original, ou porque tem medo de investir seu precioso dinheiro no desconhecido.

Menos os Crepusculetes 4.0. Esses nunca se conformaram porque mudaram a namorada do Homem Aranha, porque mudaram a pinta de herói X, porque omitiram um fio de cabelo do herói Y.

Estupra a HQ e ninguém liga. Get over it.

Alguém precisa dizer pra essas puristas fervorosos que Hollywood não está nem aí pra eles. Se os produtores de cinema tivessem que escolher entre o dinheiro do 0,1% da população mundial que lê HQs e a grana dos 99,9% restantes, pode acreditar que é atrás desta última que ela vai correr.

Crepusculetes 5.0: Fãs de Lars von Trier 

Tenho até vergonha de comentar sobre essa classe da qual muito pouco entendo. Só sei que eles tem a habilidade fantástica de traduzir várias metáforas que você não entende em resenhas longas e enfadonhas. Tem conhecimento avançados sobre a cultura do cinema e a mente elucubrativa que os filmes do Lars pedem. E nisso, ele tem a aprovação unânime de seu fãs. Unânime.

Quando questionados, usam o clássico “é pra poucos, não é todo mundo que entende” (argumento que alguns Crepusculetes de Game of thrones já ensaiam).

Ele é bom em metáforas, torturar atrizes e fazer comentários habilidosos sobre os nazistas.

De fato, Lars é pra poucos mesmo. Mas tanto “hermetismo” reflete uma desistência  sábia de uma discussão que se revelaria infrutífera, ou é desejo de pagar pau de cult mesmo?

Eu nunca vou saber.