Crepusculetes e seus diferentes níveis de sofisticação

Já faz cinco anos desde que a febre dos vampiros purpurinados arrebatou milhões de moçoilas sonhadoras, mas até hoje as fãs de Crepúsculo permanecem como padrão infalível de um fanatismo bobo, comercial e nada argumentativo. Mas creio que esta fama seja um tanto injusta: o fanatismo estúpido existiu antes e sempre existirá, mesmo após o esquecimento da (até agora) famosa saga. Uma prova disso é que podemos ver marmanjos barbados pagarem de Crepusculetes em flor ao apreciarem obras muito diferentes – e superiores – à série adolescente.

No entanto, aqui tomo as conhecidas Crepusculetes como unidade de medida para me fazer entender melhor. Eis a lista dos que considero os 5 fãs mais ridículos da atualidade. As obras são muito diferentes, mas a atitude infantil é a mesma.

Crepusculetes 1.0: Fãs de Crepúsculo 

As Crepusculetes na sua forma mais elementar gostam de uma obra apesar do seu apelo muito óbvio: a presença de uma figura masculina mais velha (porém ainda totosa) com as qualidades certas e os defeitos certos. Elas entendem esse apelo, e sob forte criticismo à sua querida saga, seus únicos argumentos são o escapismo, a inveja ou a conta bancária da autora e atores envolvidos.

A Stephenie Meyer é rica. E você fazendo aí, fazendo merda de graça.

Como forma primitiva de Crepusculetes, seus níveis de arrogância ainda são baixos em relação aos outros da lista.

Também montaram um algoritmo bem simples para desmoralizar que falam mal dos livros: você não tem espaldo para criticar a série a não ser que tenha lido todos os livros. Mas se você de fato ler toda a série, elas vão te dizer: “Você disse que não gostou mas leu todos os quatro livvos, não é? Então na verdade você deve gostar e não diz.”  Engenhoso, não?

Crepusculetes 2.0: Fãs de God of War que acham que o jogo é exatamente fiel à da mitologia grega 

Eu aplaudo e muito a iniciativa de fazer um jogo super violento (que eu adoro) para ensinar mitologia grega a quem é muito ignorante importante pra pegar um livro, mas às vezes fico desapontada com o fato de muitos acreditarem que a história do jogo é EXATAMENTE igual à registrada na mitologia grega. Estes fãs estão muito preocupados em acharem que os jogos são uma forma de contar histórias muito superior ao resto, mal sabendo eles que os produtores, a exemplo dos piores produtores de Hollywood, gostam de dar uma estuprada básica no roteiro em função da diversão, e no caso de God of War, do gameplay. “Licença poética existe, mas não para jogos. Isso é coisa de cinema”. Dá pra levar a sério?

E o pior é que o jogo até tem semelhanças: ele foi um guerreiro de Esparta, que como pupilo de Ares (deus da Guerra) foi obrigado (dentre outras coisas) a matar sua família, que Ares interpretava como uma distração ao projeto-do-guerreiro-perfeito que fazia de Kratos. Na mitologia, a história dele termina com as cinzas de sua família impregnando-se em sua pele, deixando a branca como marca dos crimes que cometeu. Daí surgiu o nome Fantasma de Esparta (ou Ghost of Sparta). Legal, né?

Kratos tem um jeito machão idiota porque a fúria de Ares e a sede de sangue o deixaram assim, meio louco. Mas mesmo muito louco ele nunca iria até o inferno de Hades para resgatar o irmão…

Mas parou por aí, e olhe lá. No God of War 3, colocaram a criatura pra abater todos os deuses possíveis, o que é simplesmente um sacrilégio, uma blasfêmia, um pecado mortal. Gostar todo mundo pode, e não digo que o jogo DEVE SER FIEL à mitologia clássica, mas não saia por aí dizendo que aprendeu mitologia jogando GoW porque é forçar MUITO, entendeu?

Como este tipo costuma abandonar a teimosia após meia dúzia de links na Wikipedia, está ainda numa posição baixa na minha lista.

Crepusculetes 3.0: Fãs de Game of Thrones 

“Os livros de Game of Thrones são perfeitos.”

“Quem não gosta de Game of Thrones é imaturo, idiota e tem mau gosto.”

Como viciada na série Game of Thrones na HBO, fico triste em dizer que agora que a porra fica séria. Apresento-lhes ao bando de marmanjos crescidos mais parecidos com as Crepusculetes que você conheceu na vida. Boa sorte ao dizer ao dizer que a obra querida deles na verdade é bem mais maniqueísta do que os argumentos de venda do George R. R. Martin diz. Boa sorte ao dizer que livros nem sempre são melhores do que suas adaptações. Boa sorte ao dizer que os personagens não são lá muito complexos e que o autor utiliza fómulas clichês para criar a identificação entre leitor e personagem (sim, porque é o tipo de história que ainda precisa dessa coisa totalmente clichê que é deixar os protagonistas bonzinhos pra criar identificação com público – alguém mais bocejou aí?).

Ned, o mocinho de novela das 8 que caiu de pára-quedas na HBO.

Se você criticar a obra, vai topar com o mesmo tipo de argumento que as Crepusculetes 1.0 usam: só se pode emitir uma opinião sobre a série depois de ler 3200 páginas e gastar mais de 100 reais. A não ser que você goste. Aí você já tem moral a partir da primeira página. E lembre-se que tal raciocínio vem de quem costuma descartar Crime e Castigo no máximo, na página 50.

Em vez de se sentirem gratos pela HBO lhes concederem algumas surpresas no decorrer da série, só reclamam, achando que adaptar um  livraço de 800 páginas e decide adaptá-lo numa temporada de 10 episódios com 50 minutos de duração é fácil. Aqui vai uma dica, meus caros, se a HBO com todo o seu know-how não consegue fazer alguma coisa em matéria de TV, é muito difícil que você vá ter competência pra fazer melhor.

Como este tipo costuma ter melhor conhecimento gramatical (e se acha proque consegue, pela primeira vez, terminar um livro grosso na vida), uma coisa eu reconheço: eles realmente elevaram o nível do retardo mental.

Crepusculetes 4.0: Fãs de HQs que reclamam porque os suas adaptações para o cinema são diferentes

Todo mundo sabe que Hollywood só adapta filmes de Marvel e concorrentes ou porque tem muita preguiça pra pensar em algo original, ou porque tem medo de investir seu precioso dinheiro no desconhecido.

Menos os Crepusculetes 4.0. Esses nunca se conformaram porque mudaram a namorada do Homem Aranha, porque mudaram a pinta de herói X, porque omitiram um fio de cabelo do herói Y.

Estupra a HQ e ninguém liga. Get over it.

Alguém precisa dizer pra essas puristas fervorosos que Hollywood não está nem aí pra eles. Se os produtores de cinema tivessem que escolher entre o dinheiro do 0,1% da população mundial que lê HQs e a grana dos 99,9% restantes, pode acreditar que é atrás desta última que ela vai correr.

Crepusculetes 5.0: Fãs de Lars von Trier 

Tenho até vergonha de comentar sobre essa classe da qual muito pouco entendo. Só sei que eles tem a habilidade fantástica de traduzir várias metáforas que você não entende em resenhas longas e enfadonhas. Tem conhecimento avançados sobre a cultura do cinema e a mente elucubrativa que os filmes do Lars pedem. E nisso, ele tem a aprovação unânime de seu fãs. Unânime.

Quando questionados, usam o clássico “é pra poucos, não é todo mundo que entende” (argumento que alguns Crepusculetes de Game of thrones já ensaiam).

Ele é bom em metáforas, torturar atrizes e fazer comentários habilidosos sobre os nazistas.

De fato, Lars é pra poucos mesmo. Mas tanto “hermetismo” reflete uma desistência  sábia de uma discussão que se revelaria infrutífera, ou é desejo de pagar pau de cult mesmo?

Eu nunca vou saber.

Star Wars e algumas observações bobocas – Parte II

Como havia dito no post anterior, decidi assistir Star Wars começando com a nova trilogia e depois indo para a velha, seguindo uma ordem cronológica. Péssima decisão, talvez, mas eu queria ir do menos foda para o mais foda, então como a trilogia nova é inferior, consegui seguir a ordem crescente de “fodisse” (seja lá como isso seja escrito).

E aqui vão as minhas observações.

Só uma coisa engraçadinha que achei na Internet.
  • O R2D2 é mil vezes mais fofinho na trilogia original. George Lucas tinha que colocar um amigo robô gay pra traduzir o que ele dizia, mas os meus olhos só existem para o  meu R2. Nele, muito me lembra o Pikachu: é leal, corajoso, otimista, faz sons engraçadinhos, é ultrabonitinho e dá vontade de passar numa loja pra comprar um em miniatura.
Sim, eu comparei o R2 com o Pikachu. Agora, me mata.
  • A trilogia original usa a fórmula aventura + comédia romântica + humor +violência light. Em um filme moderno, seria apenas mais do mesmo, mas lembre-se: George Lucas, juntamente com outros diretores como o Spielberg, estavam amadurecendo o gênero naquela geração, então não se pode censurá-los por usar uma fórmula que eles quase criaram.
  • O Darth Vader seria sexy se não fosse aquela máscara de besouro: ele é mais velho, experiente, se veste de preto, tem um traje que lhe confere mais de 2m de altura, e gostamos de imaginar que ele tem uma voz ultramáscula por detrás daquele respirador artificial. Além disso é mau, tem poder, pega o que quiser sem pedir licença e luta bem pra caramba, sem falar das habilidades com longos objetos cilíndricos a espada Jedi. Mas vamos pular esta última parte que eu sou moça de família.
Darth Vader e seu filho. Sim, eu sou sacana.
  • Fanboy é uma raça engraçada. Star Wars está cheia de erros científicos (um exemplo é a aplicação, digamos, esdrúxula, da força gravitacional), mas para os fãs tudo está ok. Estes são os mesmos que criticam o filme Os Vingadores porque o Hulk usa o cotovelo esquerdo em vez do direito, ou que não gostam de Homem Aranha porque mudaram a namorada dele.
  • Confirmei algo que eu já sabia: efeitos especiais antigos (leia-se: nada que seja CGI) demoram muuuito para ficarem datados. Fruto da tecnologia que cresce a um ritmo cada vez mais rápido, ou do prazo de obsolência cada vez menor, bla bla blá? Eu acho que não. A trilogia foi lançada em 1977, e hoje as únicas coisas que achei mal-feitas nele foram a caracterização dos alienígenas e uma ou outra explosão, enquanto uma dezena de filmes feitos há 5 ou 10 anos atrás já tem 80% dos seus efeitos indo para o lixo.
  • Star Wars acabou em samba. De alguma forma, os produtores achavam que um povo primitivo de um planeta não desenvolvido tocavam algo parecido com samba. (Nada muito lisonjeiro.) Ainda não acredita? Pois olhe o vídeo abaixo a partir do primeiro minuto:

Como você viu, incluíram o Anakin-canastrão no final reeditado (deveriam ter incluído também o Qui-Gon), o que nos ensina uma lição: Filme bastantes takes de seus personagens felizes para a cena final, e poderá fazer um reedit para um possível relançamento em DVD décadas depois.

George Lucas, você ganhou o meu respeito.

Guia de cinema para idiotas

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Aprenda a diferir o que é ruim do que você não gosta.

O filme tem alguma parte que você considera desnecessária? Em 80% dos casos, é porque ele está mostrando uma metáfora/referência/gatilho que você não entende!

Achou o trailer foda e quando viu o filme se decepcionou? Então olha pros lados, reconhece que vive no planeta Terra do século XXI e pára de escolher filme pelo trailer, que isso é coisa de gente terrivelmente ingênua. Confie em mim, vai te economizar uns reais.

Alguns filmes vão além de explosões, chutes, sexo e piadas. Supere isso.

Às meninas: Não despreze um filme romântico só porque ao final do filme você não quer fantasiar secretamente que é a mocinha.

Aos meninos: Não despreze um filme de ação só porque ao final do filme você não quer fantasiar secretamente que é o machão da história.

Conheça os diretores (e alguns produtores) pelo nome. Assim, você sabe (mais ou menos) como vai ser um filme antes mesmo de assisti-lo, só pelo nome do diretor.

Como escolher filmes? Há uma série de truques. Comece pelos diretores. Segundo, produtores (mas é meio difícil conhecer todos). Depois, roteiristas (apenas aqueles conhecidos pela sua excelência). Alguns diretores, como Woody Allen e Alexander Payne, também escrevem. Por último, alguns atores, (os poucos que sabem escolher bem seus roteiros). A não ser que você seja fã do cara. Aí, é outra história.

Nenhum dos profissionais acima te darão satisfação garantida. Por mais que você confie no trabalho de fulano ou siclano, você pode se surpreender. E atenção: não quero determinar que você deve gostar de fulano e desprezar siclano, só saiba indentificar quem são os profissionais que produzem filmes que fazem o seu tipo.

A interpretação de um ator vai além de diálogos. É simples, mas pouca gente se dá conta disso.

Se todo o roteiro de um filme se resume a descobrir quem é o bandido no final, acredite, o roteirista é fraco. Roteirista bom faz o seguinte: acrescenta paralelamente ao mistério do quem-matou-quem algum drama pessoal, com algum ator que preste. Essa é a malandragem.

SE VOCÊ DISCORDA DE TODAS AS AFIRMAÇÕES ANTERIORES, vai assistir Velozes e Furiosos e não enche o saco.

Os homens de Game of Thrones

Atenção, amigas: Este post tem o Selo de Qualidade Piriguete Approves.

EDDARD STARK: Quando vi, pensei: “Esse, eu pegava.” Afinal, o coroa é bonito, conservado e tem aquele jeitão sério (e sexy) de quem já aprendeu muito na vida. Mas o cara, além de casado, é tão metido a certinho que broxa qualquer uma. Além disso, deixou a esposa sozinha pra ser a Mão do Rei, o que significa que coloca o trabalho na frente do relacionamento. Esse eu não quero.

JON SNOW: De cabelo comprido, rostinho guti-guti e barba de mancebo, Jon já nasceu sofrendo de complexo de bastardo. Foi ao exílio e, com a educação nobre que teve, ganhou o título de Bofe Mais Top da Muralha, mas ainda vive angustiado. Meu ombro amigo está à disposição. (Esse é pra casar, mas bofe da Muralha jura celibato. Buá.)

JAIME LANNISTER: Lindo, loiro e metido. Sim, ele é consciente de cada pingo de gostosura de seu corpo malhado (cortar gargantas deve emagrecer). “As mina pira” quando ele passa. Ah, e ele não vale nada. Então meu conselho de amiga é: Se for pra pegar, pegue, mas sai correndo depois e não conta pra ninguém, senão a rainha malvada descobre, fica com ciúmes e você já era.

TYRION LANNISTER: É, ele é anão. Mas também é inteligente, irônico, sagaz e tem língua afiada. Ou seja, tinha tudo pra ser minha alma gêmea. Mas, além de viciado em vinho e prostitutas, o cara vem de uma família orgulhosa e eu sou plebeia. E como não quero contrariar uma família que faz a máfia italiana parecer um bando de bichinhas, o jeito é esquecer o casamento.

PS: Este post foi feito ainda na época da primeira temporada.

Star Wars e algumas observações bobocas – Parte I

Férias de pobre é ver DVD. Pelo menos os meus são originais, emprestados do bofe num ato poético de chantagem emocional. E lá vou eu, enfileirar as trilogias Star Wars enquanto os privilegiados passeiam por Paris ou Copacabana. É a vida.

Comecei pela série nova, mesmo sabendo que teria um feeling diferente de quem assistiu a série lá nos anos 70. E as impressões iniciais são as seguintes:

Mestre Jedi. Eu quero.
  • Não dá pra ignorar o Liam Neeson. Ele é alto, gato, tem um ar de coroa charmoso, uma voz linda e ainda o colocam pra ser o mestre Jedi perto do insosso do Ewan MacGregor e daquele pirralho canastrão (não vale  a pesquisa no Google, nunca mais apareceu em filme algum). Sem falar das habilidades inerentes a um mestre Jedi: habilidades físicas indescritíves (ui) e fazer quase mágica com um objeto cilíndrido (uiuiui).
  • O pirralho que interpreta o Anakin Skywalker, cujo nome eu me recuso a saber, estragou toda a nova trilogia. Era pra sentir empatia? Não senti. Era pra sentir antipatia? Nem isso! Só dá vontade de apontar o dedo, chamar de canastrão e gritar: por-favor-saia-desta-trilogia.
  • Os cabelos melhoram muito no terceiro filme. Abaixo observe que aquele visual trancinha Padawan da esquerda não dá. Á direita, temos visuais amadurecidos, mais apropriados para mestres Jedis e rebeldes da Força.
Matriz cabelo por filme x personagem.
  • Quantas vezes eu vi um cavaleiro Jedi pendurado à beira de um precipício em 3 filmes? Milhares. Cansou mais do que ver espaçonaves explodindo. Uma referência à cena final da trilogia original? Pode ser. Mesmo assim não gostei.
  • Mestre Yoda lutando parece um macaquinho a pular.
  • Alguém me explica por que diabos colocaram a raça do Chewbacca pra correr engraçado nesta trilogia nova. Na original, pelo menos o Chewbacca consegue se locomover sem parecer uma caricatura de biba pulando Carnaval.
  • Ainda bem que não nasci rainha de planeta extraterrestre. Imagine só ter que lidar com tensões políticas e militares intergalácticos sob toneladas de arranjos na cabeça e pó-de-arroz. Mais para a frente, ela já era senadora, poderia desfilar o corpitcho magro num modelito mais adequado.
Toalete de rainha é foda.

No geral, senti que esta trilogia nova, por ter a proposta de explicar a trajetória de um herói transformado em vilão, tem um tom mais sério, e com intrigas políticas mais complexas. Muito tempo é gasto apresentando os personagens, e eu nem preciso repetir o que achei do Anakin. E nem do Liam… ai, ai, ai.

Em breve postarei a parte 2, com as impressões sobre  a trilogia original. Pelo que sei, vai ser beeem mais divertido!