Os livros preferidos do Bill Gates

Os 12 livros favoritos de Bill Gates

  1. Meus anos com a General Motors de Alfred Sloan

“Se tiver que escolher apenas um livro de negócios para ler a vida inteira, escolha este livro.”

Bill Gates

Best-seller dos anos 60, é uma leitura obrigatória para empreendedores. É a autobiografia do Alfred Sloan, CEO que levou a GM a ser a gigante que é hoje.

Este livro é dificílimo de achar, e em português só encontrei um trecho online pessimamente traduzido pela Exame.

Baixe Meus anos com a General Motors de Alfred Sloan  em inglês aqui

2. Os anjos bons da nossa natureza, de Steven Pinker


Durante o seu AMA (Ask me anything, ou “pergunte- me qualquer coisa”) no Reddit, Bill disse que esse é seu “livro favorito da década”. Ele acrescentou que “é olhar longo, mas profundo na redução da violência e de discriminação ao longo do tempo”.

Neste livro, Pinker faz um argumento contra o senso comum: a de que nossa geração tem uma moral menos violenta do que as anteriores.

Baixe “Os anjos bons da nossa natureza”, de Steven PInker em português aqui

3. Business Adventures: Doze contos clássicos do mundo de Wall Street”, de John Brooks

É o segundo melhor livro sobre negócios, de acordo com o Bill Gates. Também é um dos preferidos do seu amigo pessoal Warren Buffett.

Baixe Business Adventures: Doze contos clássicos do mundo de Wall Street em inglês aqui

4.  “O Apanhador no Campo de Centeio”, de JD Salinger


“Eu só li este livro aos 13 anos, e desde então tenho dito que é o meu livro favorito. É muito inteligente. ele reconhece que os jovens são um pouco confusos, mas podem ser espertos e ver coisas que os adultos não veem. Então eu sempre o amei.”

Bill Gates, em entrevista ao site Achievement

Também é o livro preferido de muita gente, como o Murakami e Woody Allen. O publicitário brasileiro Washington Olivetto tem um estoque enorme deste livro em casa e dá uma cópia para toda pessoa que o visita. O babaca que assassinou o John Lennon diz que foi influenciado por ele. (Eu mereço ouvir um negócio desse…)

Baixar “O apanhador no campo de centeio”, de Salinger em PDF

Baixar “O apanhador no campo de centeio”, de Salinger em Epub

Baixar “O apanhador no campo de centeio”, de Salinger em Mobi

5. “Uma ilha de paz” por John Knowles


De acordo com a entrevista ao site Achievement.org, este é o segundo livro favorito de ficção de Bill. Ele adora lê-lo com o filho.
Livro um tanto obscuro para um “clássico americano”. A única edição cadastrado no Skoob é dos anos 70. Encontrei apenas um audiobook em inglês para baixar, por isso não postei nenhum link aqui…

6. “O grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald

O Bill gosta tanto dessa história que já foi vestido de Gatsby (sua mulher foi de Daisy) a uma festa a fantasia. Esse livro é recomendado por muita gente. Se você ainda não o leu, conserte essa falha de caráter agora!

Baixe aqui O grande Gastby, de Fitzgerald em .Epub

7. A vida é o que você faz dela, de Peter Buffett

O autor é filho do Warren Buffett, o melhor amigo de Bill Gates. (Buffett, diga-se de passagem é o mais bem sucedido investidor do mundo.) O livro foi publicado aqui no Brasil pela editora Best Seller. O próprio Peter conta a sua história, refletindo sempre se devemos escolher um caminho de vida mais fácil… ou o mais satisfatório? Para ele, não é a mesma coisa.

Este também é um dos livros favoritos do Bill Clinton.

Baixe aqui o Life’s What you Make It, de Peter Buffett em inglês

8. SuperFreakonomics: O lado oculto do dia a dia, de Steven Levitt


Gates ama Freakonomiks, mas diz que SuperFreakonomiks é melhor ainda. De acordo com seu blog, Gates disse que poderia ser considerado suspeito, porque foi envolvido em três das histórias do livro. (Ele cita os exemplos em sua resenha.) Uma das maiores belezas do livro, segundo Gates, é que ele desbanca antigas teorias econômicas que diziam que as tomadas de decisões das pessoas eram irracionais.

9. That Used to be Us, de Thomas Friedman

Este livro é um tapa na cara dos EUA. Diz porque os EUA se transformou na maior potência do mundo, porque está decaindo e o que ele pode fazer para se recuperar. Bill ainda fez algumas considerações aos autores: se outros países estão crescendo bastante também, isso é necessariamente ruim para os EUA? Como os EUA reagiriam se tivessem que abrir de mão de sua posição de liderança?

Baixe “That used to be us”, de Thomas Friedman em inglês: PDF / Epub

10. “For the Love of Physics”, de Walter Lewin

Segundo a resenha de Gates: “Lewin acredita que toda a ciência, inclusive a física teórica, é experimental, por isso não acredita em teorias como a Teoria das Cordas, que não foram comprovadas por experimentos. Eu queria que mais pessoas tivessem a apreciação que Lewin tem por observação, medidas e dados  especialmente em debates sobre assuntos muito importantes, como finanças públicas, reforma na educação e vacinas.”

11. O instinto da linguagem, de Steven Pinker

Gates recomenda este livro a todos. ele pergunta o que é a linguagem, como se estrutura… Pinker explica tudo isso, com exemplos fáceis de entender.

Baixar o instinto da linguagem, de Steve Pinker em .pdf

12. “Os Dez Mandamentos para fracassar nos negócios”, de Donald R. Keough


Também recomendado por Warren Buffett.

Bill diz que as histórias de fracasso do autor “vão ensinar-lhe mais do que uma estante inteira de livros”.

Baixar Os dez mandamentos para fracassar nos negócios em inglês: Kindle / Epub

O que os gringos pensam de Machado de Assis?

O que os estrangeiros que por acaso leem Machado falam dele na internet.

Lembra que nós todos sentíamos aquele dever moral e patriótico de ler Machado porque ele era o melhor escritor brasileiro de todos os tempos, autor de clássicos obrigatórios enfiados goela abaixo?

Lembra que nem sempre nós nos empolgávamos com essa “tarefa” que era ler Machado de Assis?

Como os gringos veem Machado de Assis?
Sua coragem para ler Machado durante o Ensino Médio

Agora lembra que, embora nós não gostássemos de nossos próprios clássicos, às vezes líamos clássicos estrangeiros sem sentimento de culpa (e até gostávamos)?

Você lendo Jane Austen na adolescência…

Bem, para alguns gringos é o inverso. Eles foram obrigados a ler Jane Austen, Mark Twain e afins… e estão lendo nosso brasileiríssimo Machado por conta própria. Por isso, com uma preguiça editorial capaz de deixar os articulistas do Buzzfeed de cabelo em pé, eu li as resenhas do Machado no Goodreads e com algumas traduções livres mostrar o que alguns gringos falando dele…

Pois é. Machado é um mestre.

A gente lê um autor e pensa: como é possível que esse gênio seja desconhecido? Sim, só uma espécie tão cretina como a nossa ignoraria o Machado.

Brian, de Los Angeles, sobre Brás Cubas

Eu não sei como resenhar este romance. Lê-lo foi como assistir uma jogada de mestre no xadrez. Jogada por jogada, você assiste, impressionado. Estou convencido de que Dom Casmurro é a melhor dramatização sobre o primeiro amor de toda a literatura. Mas essa não é uma história de amor como as outras.

Meu amigo Joselito, das Filipinas, sobre Dom Casmurro

Meus braços e mãos praticamente tremiam enquanto eu terminava este livro. Especialmente nas últimas 50 páginas.

K.D., de país desconhecido, sobre Dom Casmurro

Eu não queria gostar de Machado, porque um amigo meu gostou dele e deu apenas 1 estrela para 2666 do Bolaño, um dos meus livros favoritos. Eu queria odiar o livro de Machado e achar defeitos nele. Mas eu simplesmente NÃO CONSEGUI.

K.D., de país desconhecido, sobre Dom Casmurro

Ah, Machado. Ele simplesmente nunca falha.

Karen, de Nova York, sobre O Alienista

Nenhum livro me fez senti tanto como se eu fosse um dos personagens. No começo, foi como se eu estivesse sentada com o meu tio, comendo chá com bolinhos e ele estivesse me contando a história, com todo o seu charme.

Sherry, dos Estados Unidos

É um Tristam Shandy curto, rápido e brasileiro, cheio de metáforas incríveis…

Ben Loory, dos EUA, sobre Brás Cubas

Machado de Assis é velho, mas a escrita é moderna…

 

Ninguém escrevia tão bem ou de forma tão vanguardista como o Machado. […] Machado de Assis só não é considerado o primeiro modernista da literatura porque ninguém quer aceitar que um movimento tão importante como o Modernismo nasceu de um mulato no Rio de Janeiro, e não de um branco em uma capital europeia.

Greg, Estados Unidos, sobre Dom Casmurro

O louco do Machado escreveu uma obra de arte modernista lá no seu tempo. James Joyce e Virginia Woolf? Eles não são nada em comparação a Machado… Por que todo o besteirol modernista não está aqui por si próprio, mas sim a serviço de um livro selvagemente original e incrível.

Brian, de Los Angeles, sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas

Como pode um livro escrito em 1899, parecer tão contemporâneo em estilo e conteúdo?

Steve, do México, sobre Dom Casmurro

Mas nem todo mundo gostou…

O cara é bem fluido, inteligente e divertido para um escritor do século XIX, e eu me senti mal de dar 2 estrelas para este livro depois de amar Brás Cubas, mas numa boa… eu não estava nem aí para a história. […] A comédia metafísica e a abordagem pré-modernista de Brás Cubas sumiu e tudo o que sobrou foi […] um romance básico que, escrito por qualquer outra pessoa seria bom, mas vindo do autor de Brás Cubas foi uma decepção…

Ben Loory, dos Estados Unidos, sobre Dom Casmurro

O resultado:

  • Tem um monte de coisas que o teu professor de literatura nunca te falou;
  • Sim, dá um orgulho patriótico, por que o cara é MUITO bem resenhado.

E aí, vamos ler mais Machado?

DOWNLOAD: Vale das bonecas, de Jacqueline Susann em PDF, Epub ou MObi

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Créditos: LêLivros (eu apenas converti)

Lembra-se do machismo dos anos 50?

Imagine que você é um garota chata boazinha que acabou de se mudar para Nova York e tem tudo o que uma jovem que acabou de se mudar para NY quer: um emprego que paga pouco, mas é glamoroso, e um apartamento horroroso que você divide com sua BFF de veia artística. (Há toda uma beleza boêmia em se ter apartamentos horrorosos em Manhattan.)

Você também sai com esse carinha chamado Allen, porque, no alto de sua chatice você também gosta de sair para jantar com as pessoas para poder dizer a elas o que elas deviam fazer da vida, e o vendedor de seguros pobrinho se encaixa no perfil “amigo da friendzone”.

Aí, Allen, o suposto “cara legal” joga a bomba, em uma série de diálogos que bem que poderia ser resumidos assim:

– Eu sou rico. Ah, e agora a gente é noivo!

– Mas Allen eu não quero casar com você!

– Bobagem, eu sou rico!

– Mas eu não te amo!

– Ah, mas você vai mudar de ideia! Eu não disse que eu sou rico?

– Mas eu nem tenho vontade de te beijar!

– Ah, deve ser porque você não gosta de sexo! Eu já te disse que eu sou rico?

Então você, como boazinha chata que você é, aceita esse noivado forçado até ter coragem de dizer para o babaca cara legal que ele é um babaca perdeu a cabeça. No dia seguinte, o seu noivado sai na primeira página do jornal e o teu chefe inventa essa história:

“Ei, você vai ter que continuar com esse noivado de mentirinha, senão você vai acabar se apaixonar pelo bonitão mulherengo aqui do escritório, e eu não quero que isso aconteça, porque eu sou um cara tão legal que adoro ficar me metendo na vida pessoal dos meus empregados.”

Sim, o enredo é ridículo assim mesmo.

E sim, ela acaba se apaixonando pelo bonitão mulherengo do escritório. SPOILER: Depois do primeiro beijo, ela chora dizendo: “Obrigada por me fazer acreditar no amor!”

Mas não é exatamente esse tipo de livro. Apesar de ser previsível às vezes, este não é um típico chick lit. Não existe final feliz. A mensagem é mostrar o quão glamorosa e miserável é a vida dos ricos e famosos, focado nas mulheres… ou em como ser uma mulher era (ou ainda é?) é péssimo.

“Esse é um mundo de homens e as mulheres só reinam nele enquanto são jovens e bonitas.”

Por que uma mulher trabalharia duro na carreira que ama? Para poder acabar seca e sozinha? Para poderem comprar coisas que elas ter há dez anos atrás se tivessem se casado com um homem rico?

E olha que algumas mulheres ainda querem viver em uma sociedade machista, onde suas únicas qualidades relevantes são juventude, beleza, capacidade de agradar os outros e olhar para o outro lado quando o seu marido invariavelmente se cansar de você…

NÃO É ESSA COCA-COLA TODA: O FATOR HUMANO, de Graham Greene

Como a novela mexicana me ajudou a identificar a breguice de Graham Greene.

Leia esta resenha em inglês no meu Goodreads.

O fator humano, de Graham Greene.
O fator humano, de Graham Greene.

Eu sempre ouvi falar que Graham Greene era um romancista respeitado, do tipo que faz James Bond parecer historinha para crianças dormirem. Aí eu li um livro dele. E o resultado foi uma decepção enorme, porque…

ESTE ESCRITOR É BREGA. PRA CACETE.

O Graham Greene brasileiro.

Eu comecei a desconfiar quando li isso aqui:

Uma esposa questiona a seu marido se ele não quer ter um filho, já que Sam, a criança que eles criam, é filho somente dela. E o que ele responde?

“Eu amo Sam porque ele não é meu. Porque eu não tenho que ver nada meu quando olho para ele. Eu só vejo alguma coisa de você. Eu não quero continuar para sempre. Pelo contrário, eu quero que tudo o que eu sou termine comigo.”

Como alguém que cumpriu sua carga horária de novela mexicana na SBT e Netflix (portanto, tenho um senso sobrenatural para identificar coisas bregas), eu desconfiei logo. Então, basicamente, aqui a gente sabe que o protagonista tem algum conflito existencial, o que faz parte do “fator humano” do setor de espionagem. [Nada que John le Carré faça melhor.] Minhas desconfianças foram levantadas, e aí eu continuei lendo…

“… ele não queria viver na cidade de Deus ou Marx, mas em uma cidade chamada Paz de Espírito.”

Bingo. Meu instinto de quem viu A Usurpadora no Netflix não me engana!

Paola Bracho aprovou este post.

Quase não há descrição física dos personagens. A não ser, é claro, que os personagens sejam negros.

Não que eu ache Greene racista, pelo contrário. Ele retrata muito bem o “racismo leve” nesta obra. Mas ele ainda é um produto de seu tempo. Ou seja, as descrições físicas dos personagens negros envolvem a cor negra… e não muito mais. A pele é negra, o cabelo é crespo… Só isso. É só isso que Greene usa para descrever fisicamente os personagens negros deles.

A coisa piora com os personagens brancos. A maioria dos outros personagens são um bando de velhos brancos, uns iguais aos outros. Desculpem-me, mas como alguém que nasceu em um país miscigenado, fica chato escolher aleatoriamente pessoas de filmes anglo-saxões para representar os personagens do livro na minha cabeça, simplesmente porque o autor não fez sua obrigação de descrever os personagens além do fato de dizer sua idade e cor.

A ambientação é genérica. Oh, o protagonista está numa livraria. Como é a livraria? Eu não sei.

Oh, eles estão numa capela vendo um casamento. Como é a capela? Quais são as cores das flores que decoram o casamento. Eu também não sei! O autor não nos conta.

Mas não se preocupe. Sabe aqueles filmes anglo-saxões que você usou para escolher os personagens porque o autor não se deu ao trabalho de descrevê-los? Você pode usá-los para escolher os detalhes da ambientação também!

E isso:

“No auge do amor, Sarah gritava o seu nome tribal secreto.”

Maaas… nem tudo é horrível. Algumas coisas são imprevisíveis.

A sabedoria política. Sabe quando você está tendo uma discussão qualquer e aí você faz um argumento todo regrado a Foucault, Chomsky, Bertrand Russell e o caralho a quatro; e aí alguém te responde de um jeito completamente simples, mas com uma sabedoria tamanha que dá um tiro na cabeça do seu argumento pretensiosudo? (Sim, eu inventei essa palavra.) Este livro tem vários momentos assim.

Ele mostra que nem todo racista se vê como racista. Pelo romance, vemos vários personagens que se dizem tolerantes fazerem vários comentários desastrados sobre racismo. Greene faz um ótimo trabalho em expor a “hipocrisia racial” deles. Hipocrisia esta aliás, que pode ser detectada em muitos comentários no seu feed do Facebook.

Este era para ser um dos livros menos sérios e mais “divertidos” deste autor. Eu não me diverti nem um pouco lendo este livro. Não creio que darei uma nova chance a este autor, mesmo com o Obama dizendo que “O Americano Quieto” é um dos seus livros favoritos. Eu nem sequer lerei um de seus romances mais “sérios”. Eu não duvido que ele consiga escrever livros inteligentes. Eu não tive nenhum problema com as ideias dele. Eu tive um problema mesmo foi com o estilo dele.

P.S.: Apesar deste autor não fazer o básico descrevendo os personagens ou ambientação e tem um estilo que deixaria Paulo Coelho roxo de vergonha, ele é MUITO louvado. Vejam o que dizem sobre ele:

“Nenhum outro escritor do século XX penetrou de forma mais profunda e moldou o imaginário coletivo como Graham Greene.” – Time

Hummm. E Kundera, Hemingway, Fitzgerald, Nabokov…? Ele sequer é o melhor do nicho de espionagem. John le Carré sabe escrever livros de espionagem “maduros” muito mais convincentes.

“Um soberbo contador de histórias.” – New York Times

Um soberbo contador de histórias que sequer faz o dever de casa ao descrever ambientes e personagens e que usa alegorias de doer no coração até de quem vê novela mexicana no Netflix.

Moral da história: Não acredite em toda babação de ovo que lê por aí.

Os três mosqueteiros: uma resenha inusitada

Um clássico de leitura surpreendentemente rápida, com personagens engraçados e um tom que mistura violência com Sessão da Tarde.

Como muita gente, viuma promoção do Submarino que vendia uma caixinha de clássicos da Zahar por metade do preço. Como todo viciado em livros com sangue nas veias, me endividei. E li todos os clássicos ao longo de 2014, o último sendo “Os Três Mosqueteiros”.

Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas. Editora: Zahar.
Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas. Editora: Zahar.

Considerações iniciais:

Lembra que em “O homem da Máscara de Ferro” apareciam os três mosqueteiros? Pois é, faz parte do terceiro e último livro da série.

Outra consideração relevante aos leitores modernos: os personagens não passam no “teste do politicamente correto”. Eles são violentos, e bem estúpidos. Brigam até a morte por qualquer besteira. Bebem demais e se perdem por causa de um rabo de saia.

Por outro lado, isto ajuda a tornar os personagens mais interessantes. POr que, em nenhum momento, dumas tenta validar os erros de seus personagens. Pelo contrário: nós os vemos nus, sem justificações de nenhuma espécie. Eles são o que são e com o tempo aprendemos a apreciá-los como produto de seu contexto histórico machista e absolutista.

Acompanhamos D’Artagnan, um jovem francês que vai a Paris ser um mosqueteiro. Ele é ingênuo, valente e vai amadurecendo ao longo do romance. Em Paris, conhece os três mosqueteiros:

Aramis: Religioso, tenta seguir os princípios de sua fé mesmo em uma profissão cercada de mulherengos e beberrões por todos os lados.

Athos: Com um espírito de liderança afiadíssimo, tenta pagar de misterioso, mas tem um passado que condena.

Porthos: Escandaloso, mulherengo e bonito. Engraçado e gente boa. Gosta de se gabar de sua fortuna. Levemente arrogante.

O tom da obra é diferente para os olhos modernos. A história mostra conspirações políticas, assassinatos, conflitos de guerra, mortes de inocentes… tudo isso com uma vibe engraçada de Sessão da Tarde. Pode?

O Dumas pode!

DOWNLOAD: Tripas (Guts), do Chuck Palahniuk revisado e ilustrado

É um dos meus contos preferidos. Mas atenção: ELE É MUITO CHOCANTE. HÁ LINGUAGEM EXPLÍCITA ENVOLVIDA.

Dizem as más línguas que muita gente desmaiou ao ouvir este conto numa biblioteca em Las Vegas. Eu não desmaiei, mas de fato me impressionei BASTANTE.

Palahniuk continua sendo meu muso.

TRIPAS

Esta “edição” improvisada pelo Mamãe, sou cult tem fan art e uma revisão em cima de uma tradução amadora na internet.

Para baixar os arquivos você precisa ter conta no Minhateca, mas você pode fazer o login rapidinho com o facebook. Vale a pena!

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Depois de ler o conto, veja esse post sobre o porquê a mensagem do conto não ser contra a masturbação.

Porque Tripas, do Chuck Palahniuk não é contra a masturbação

Alguns atos são baixos demais para receberem um nome. Baixos demais para serem discutidos.

Tripas, Chuck Palahniuk

 

Baixe aqui o conto traduzido e ilustrado.
Baixe aqui o conto traduzido e ilustrado.

 

Algumas pessoas leem o conto Tripas (ou Guts, seu título original) do Chuck Palahniuk, onde um garoto de 13 anos sofre algo horrível ao se masturbar na piscina e pensam:

Ah, essa é um conto contra a masturbação, não é? Se ele não fosse inventar de se masturbar daquela forma, ele não teria passado por nada daquilo!

Essas pessoas deixam de perceber certas sutilezas do conto (o que é atípico, porque acho o Palahniuk não costuma ser sutil na obra dele). A mensagem não é condenar a masturbação, mas sim falar de tabus. Coisas dos quais temos vergonhas, mesmo que sejam relativamente naturais, como a masturbação. (Em alguns casos, bota relativamente nisso.)

 

Eis alguns trechos do conto que evidenciam isso:

Ele sai para comprar uma cenoura e lubrificante. Para conduzir uma pesquisa particular. Ele então imagina como seria a cena no caixa do supermercado, a solitária cenoura e o lubrificante percorrendo pela esteira o caminho até o atendente no caixa. Todos os clientes esperando na fila, observando. Todos vendo a grande noite que ele preparou.

 

Mesmo agora que ele cresceu, aquela cenoura invisível aparece em toda ceia de Natal, em toda festa de aniversário. Em toda caça de ovos de páscoa com seus filhos, os netos de seus pais, aquela cenoura fantasma paira por sobre todos eles. Isso é algo vergonhoso demais para dar um nome.

 

[…] dizem que a maioria dos casos de suicídio adolescente eram de garotos se estrangulando enquanto se masturbavam. Seus pais o encontravam, uma toalha enrolada em volta do pescoço, a toalha amarrada no suporte de cabides do armário, o garoto morto. Esperma por toda a parte. É claro que os pais limpavam tudo. Colocavam calças no garoto. Faziam parecer… melhor. Ao menos, intencional. Um caso comum de triste suicídio adolescente.

 

Agora eu pergunto. Se tivéssemos uma postura mais natural acerca de masturbação, será que o menino do conto passaria por tudo aquilo? Será que ele não disporia, então, de um jeito mais automatizado e seguro de se masturbar daquela forma sem ter que recorrer ao ralo da piscina?

Aliás, as mulheres já dispõem de vibradores porque muita gente esperta já decidiu ganhar dinheiro permitindo que as mulheres se masturbassem sem se arriscar enfiando legumes nas suas vaginas. Todo mundo ganha. Com o mesmo raciocínio, será que a “sucção de ânus” é um nicho do mercado erótico ainda não explorado?

Será que acabei de ter uma ideia que vale milhões de dólares? J